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Textos complexos ou compridos aumentam dificuldade de questões na Fuvest, apontam professores do Objetivo

Redação Estadão.edu

25 Novembro 2012 | 22h48

*Por André Cabette Fábio, especial para o Estadão.edu

De nível médio e abordando temas variados de forma equilibrada e clara para a maior parte dos professores do cursinho Objetivo, a prova da Fuvest foi mais difícil em biologia e história. Questões com textos complexos ou compridos marcaram essas provas.

História

De 11 questões de história, 8 eram baseadas em textos – muitos deles longos. Segundo o professor Daily de Matos Oliveira, alunos desacostumados com esse tipo de prova tendem a se cansar mais, porque leem o texto inteiro e, conforme chegam às perguntas, voltam para cada trecho em busca de resposta. “Quem está acostumado, já vai buscando as respostas conforme conforme vai lendo da primeira vez”, diz. Ele avalia que a prova está ficando mais parecida com a do Enem.

O professor criticou a forma como a prova “descalibrou” no conteúdo. Das 11 perguntas, apenas três tratavam de história brasileira, uma inversão do que aconteceu na Fuvest 2012. “Quem sabe ano que vem fica equilibrado novamente”, diz. Ele criticou também o fato de que duas das perguntas de história geral repetiam a abordagem da Guerra Fria, o que cortou espaço de outros temas.

O professor elogia, no entanto, uma questão que aproxima história e literatura. Ela pede que o aluno situe historicamente um trecho do livro Frankenstein, de Mary Shelley. “Não é uma visão somente economicista, marxistóide, que é um vício antigo. Achei interessante, curioso”, diz.

Biologia

O professor de biologia Constantino Canelos afirma que, apesar de ter abordado temas tradicionais, a prova foi mais difícil do que a média por ter inovado apresentando as perguntas de maneira mais complexa, “com um linguajar elitista”.

Ele usa o exemplo de pergunta que exige que o estudante analise o esquema de uma proposta de classificação evolutiva dos animais e a analise sob a luz da classificação entre vertebrados e invertebrados. O estudante deveria apontar que aquele esquema não serve para justificar a divisão. “Para cair a ficha, foi muito difícil, porque as alternativas são muito rebuscadas”, diz.

Química

A prova de química também exigiu atenção do estudante no texto, afirma o professor Alessandro Nery. Uma questão de cinética química, por exemplo, pede que o candidato responda o que se poderia concluir baseado exclusivamente na informação presente na tabela apresentada. “Um item dizia que quanto maior a concentração de reagente, maior a velocidade de reação. Isto é correto, mas, a partir da leitura da tabela, o aluno não podia chegar a essa conclusão”, explica Nery.

Segundo ele, a prova foi marcadamente conceitual, exigindo pouco cálculo, e cobrou conteúdo adequado ao passado no ensino médio.

Física

A prova de física exigiu cálculo apenas em metade das respostas, mas foi considerada de nível médio para difícil também por exigir raciocínio e conhecimento da matéria. “Cálculos apavoram o pessoal, mas a prova foi limpa, equilibrada. As perguntas foram secas, direto ao ponto sem nenhuma informação incorreta ou dúbia”, avalia o professor Ricardo Hellou Doca.

Ele afirma que, por apresentar questões de várias frentes da química, a prova será “extremamente seletiva”, e contemplará os melhores candidatos. “Foi uma prova dentro das regras do jogo, mas um pouco puxada”, diz.

Matemática

A prova de matemática também conseguiu abordar um leque amplo de perguntas e foi elogiada pelo professor Gregório Krikorian, que a classificou de “excelente”. Ele considerou as perguntas de nível médio, bem formuladas e adequadas para a avaliação, mas sem nenhuma “proposição muito original”.

Uma das perguntas aliava geografia com matemática simples, apresentando uma tabela com a área do Brasil por região e as populações, o que possibilita que o aluno responda baseado nas duas disciplinas.

Geografia

A classificação “excelente” também é utilizada pelo professor Tom Carvalho. Ele elogia a riqueza de imagens, charges, fotos, gráficos e mapas. “Criticamos muito quando não tem esses elementos, porque são constantemente utilizados em geografia”, diz.

Ele julgou o conteúdo bem distribuído, contemplando temas da atualidade como atuação econômica da China na África e a crise na Zona do Euro. “Ela cobrou dos alunos o certo. Nada polêmico, nada dúbio”, diz.

Inglês

Trabalhando com textos da revista Newsweek e do jornal britânico Guardian, a prova de inglês teve conteúdo de nível médio, que exigiu do aluno prática de leitura em inglês, avalia a professora Cristina Armaganijan. Um dos textos falava das novas tendências da publicidade e as necessidades de adaptações devido a tecnologias, como Facebook e Twitter. Outro foi o comentário sobre o livro Missing Out: In Praise of the Unlived Life, de Adam Phillips.

“Foi uma prova tranquila, os alunos que estão acostumados a ler em inglês conseguiram fazê-la tranquilamente”, avalia.

Português

A prova de português também teve perguntas de nível médio, baseadas em textos curtos, a maioria relativa à interpretação das obras. As únicas da lista que ficaram de fora foram Vidas Secas, de Graciliano Ramos e Capitães de Areia, de Jorge Amado, que foi somente mencionado numa pergunta que o relaciona com o poema Morro da Babilônica, de Carlos Drummond de Andrade, também de cunho social.

“Achamos estranho. É provável que Vidas Secas e Capitães de Areia apareçam na segunda fase”, disse a professora Elizabeth Massaranduba.