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Funcionários trancam salas na FFLCH e impedem aulas de cursinho

Redação

08 Novembro 2011 | 15h39

* Por Felipe Tau

SÃO PAULO – Um grupo de quatro alunas e dois professores do Cursinho do Crusp (Conjunto Residencial da USP) não pôde usar as salas de aula da FFLCH nesta manhã – funcionários trancaram as portas porque alunos estavam retirando carteiras para fazer barricadas. O grupo chegou a ficar 15 minutos numa sala, mas se retirou depois que manifestantes pediram ajuda para fazer as barricadas. O grupo se recusou a ajudar e achou melhor deixar a sala, mas não o prédio.

A estudante Débora Svizzero, de 18 anos, chegou às 7h30 no câmpus para uma aula às 8h. Ela saiu às 6h20 de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. “Tivemos uma aula improvisada de Geografia por volta das 9h no térreo, fora da sala”, conta. “Depois subimos e ficamos uns 15 minutos numa sala do 1º andar”. Então, alunos da FFLCH, segundo ela, teriam pedido ajuda para retirar as carteiras. Em seguida, o grupo do cursinho deixou a sala, mas não o prédio, aguardando alguma definição. Segundo Débora, a maioria dos alunos do cursinho é de cidades vizinhas à capital, como Cotia, Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Guarulhos.  “É melhor deixar pra lá”, disse ela. “Acho que é direito dos alunos reivindicar, e os PMs estão fazendo o dever deles. É complicado opinar”.

Sua colega Odara Botelho, também de 18 anos, saiu às 5h40 de casa, em Itapecerica da Serra, para chegar às 7h50. “Esse movimento atrapalhou muito. Vim focada para estudar e tive que passar por isso. Pelo que estou vendo, amanhã também não haverá aula. E o pior é que tem vestibular da Unicamp neste domingo”, reclamou. Odara é a favor da PM no câmpus. “Acho que eles [manifestantes] não tinham que lutar contra a PM, estão lutando contra a coisa errada. Deveriam lutar por poder de voto nas decisões da USP”.

A professora pernambucana Ana Carolina Valença, 23 anos, cursa o 1º ano de Matemática na universidade e mora no Crusp. Ela apóia a manifestação.  “Sou contra a presença da PM no câmpus. Ela é um instrumento de opressão. Não acho que precisem gastar verba pública para impôr a polícia aqui. Se querem resolver a questão da droga, por que não vão para [a favela de] São Remo? Porque ações na USP dão mais visibilidade. A gente se sente um bandido aqui, não pode sair falando qualquer coisa”. Ana foi acordada hoje por alunos gritando “PM na USP! PM na USP!”.