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Estudante descreve rotina de passeio e estudo na capital catalã

Redação

26 Janeiro 2011 | 19h53

Depois de quase 20 horas de viagem e de perder meu voo de conexão em Paris, cheguei a Barcelona e percebi que ela tinha um clima diferente de todas as outras cidades que havia visitado. Minha primeira impressão foi a melhor possível, conheci espanhóis muito simpáticos no aeroporto, indo para a casa que moro passei por avenidas muito arborizadas e todas decoradas com enfeites e luzes de Natal, conheci estudantes de todas as partes do mundo e fiquei maravilhada com a arquitetura da cidade.

Todos os prédios são muito antigos e charmosos. Nas primeiras semanas que passei aqui só andava olhando para  cima, o céu azul, as belíssimas construções, estátuas, monumentos e grafites espalhados por todos os bairros. Uma cidade onde se respira arte. A capital da Catalunha agrada a todos os gostos, tem museus, parques, praia, bares, discotecas, lojas de marca com ótimos preços e muita gente bonita.

Os museus que mais valem a pena ir são o Museu Nacional d’Art de Catalunya, situado no alto da colina de Montjuic, que além de ser em um castelo muito bonito, tem uma vista de toda a cidade, e o Museu do Picasso, no charmoso bairro Born, onde é uma delícia se perder nas vielas e fuçar as lojinhas retrô de roupas e decoração.

A cidade tem diversos edifícios e monumentos do arquiteto catalão Antoni Gaudí, como a casa Battló, na mais chique avenida da cidade (Passeig de Gràcia), a famosa Igreja Sagrada Família e o Parc Güell, onde se pode ver um lindo pôr-do-sol.

Para as pessoas que gostam de dançar, o melhor lugar é a Ciutadella Vila Olímpica, com as melhores discotecas, como a Opium Mar, a Carpe Diem ou no centro da cidade, no Teatro Apollo e na alternativa Razzmatazz. Para os que preferem bares, o programa é fazer o famoso passeio barcelonês nos bairros Born e Gótico, indo de bar em bar, tomando um drink em cada um, ou ir ao mais famoso e com maior concentração de gringos, bar Ovella Negra.

Por ser tão eclética e ter a vida noturna tão agitada, Barcelona atrai pessoas de todo o mundo, principalmente brasileiros, trabalhando, estudando ou passeando. Na escola onde estudo espanhol, seguramente 80% dos estudantes são brasileiros. Não temos uma boa fama entre os professores e até mesmo entre alguns estudantes de outras nacionalidades. Os professores, catalães, um povo um pouco fechado e conservador, acreditam que nós viemos a Barcelona só para festejar e não nos preocupamos com os estudos.

Um programa que não pode faltar a quem vem à cidade é ir a um jogo do Barcelona no Camp Nou. Os barceloneses são fanáticos por futebol e sempre lotam o estádio. Mesmo para quem não gosta do esporte, é algo que todos precisam viver aqui.

Outro aspecto muito bom de Barcelona é que, como na maioria das grandes cidades da Europa, é possível ir para todo lugar de metrô ou ônibus e a qualquer hora do dia (ou da noite em finais de semana e feriados). Em todas as estações de metrô há um lugar onde se podem alugar bicicletas e devolver depois em outra estação. Em todas as avenidas há ciclovias e, como a cidade é plana, meios de transporte alternativos são muito comuns.

Mas apesar de eu ter me apaixonado pela cidade, ela tem muitos pontos negativos. O povo catalão não é muito amigável, são muito nacionalistas e muitos deixam claro que não gostam de tantos estrangeiros na cidade, principalmente os mais idosos. A comida não é das melhores e as boas refeições são caras. É muito difícil achar um restaurante bom para almoçar por menos de 15 euros. Para quem gosta de frutos do mar, Barcelona é o paraíso da  paella, mas quem não gosta dessas comidas típicas da cidade fica com poucas alternativas.

Um ponto que foi muito difícil para mim no começo foi a falta de higiene dos espanhóis. É difícil ir a um restaurante e não ver nenhuma marca de dedo engordurado nos copos ou talheres mal lavados. Até mesmo na minha casa, onde há uma mulher responsável por limpar e cozinhar, encontro panelas com restos de comida, o chão preto, a pia suja. Para se viver aqui é preciso baixar o seu padrão de limpeza, ou não se come.

Acredito que Barcelona não é o melhor lugar para se aprender a falar espanhol. Por se situar na Catalunha, todos os cartazes, cardápios de muitos restaurantes, muitos jornais são só em catalão. Além disso, a comunidade brasileira aqui é muito grande, em todos os lugares há alguém falando português, então treinamos menos espanhol do que
deveríamos.

Mesmo considerando esses pontos negativos, estou apaixonada por Barcelona, e o curso de espanhol é muito bom. Aprendi muito nesse um mês e meio que estou aqui, não só a língua, mas também sinto que amadureci por estar morando sozinha e conhecer pessoas de todas as partes do mundo. A troca de experiências e culturas com chineses, suecos, marroquinos, todos, é o melhor em um intercâmbio. Tentar entrar na rotina dos nativos e pensar como eles também é algo muito positivo, pois assim passamos a ver o mundo de pontos de vista diferentes, o que para mim é muito engrandecedor.

Barcelona é a melhor cidade que já visitei. Embora eu volte para o Brasil dentro de algumas semanas, espero ter a oportunidade de retornar a Barcelona para terminar meu curso de Relações Internacionais aqui e morar por alguns anos nessa cidade.

Beatriz Domingo tem 18 anos, cursa Relações Internacionais e foi fazer um curso espanhol de dois meses em Barcelona