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Eneri: protecionismo econômico e o Brasil na OMC

Redação

22 Abril 2013 | 20h48

O Encontro Nacional dos Estudantes de Relações Internacionais (Eneri) terminou no último sábado. Leia abaixo o relato dos alunos da Faap Victor Dias Grinberg e Leticia Astolfi Santana sobre as palestras da sexta-feira. O tema do evento foi “Brasil Global Player”.

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“O terceiro dia do Encontro Nacional dos Estudantes de Relações Internacionais (Eneri) teve seis palestras ministradas por grandes nomes. Para não nos estendermos muito, afinal foram cerca de 11 horas de atividades, escolhemos quatro mesas que mais chamaram a nossa atenção.

O embaixador Rubens Barbosa falou sobre “Desafios Internos e Externos do Comércio Exterior Brasileiro”. Ele abordou os problemas da atual política protecionista adotada pelo governo, sobretudo no que se refere à manipulação do câmbio e à imposição de taxas externas, e as implicações disso para a imagem do País no comércio internacional. Segundo ele, tais atitudes estão prejudicando e restringindo a participação brasileira em organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Falou ainda dos impactos em acordos bilaterais e multilaterais. Ele propôs que o Brasil deveria rever suas políticas em relação ao Mercosul. “A América do Sul é o maior problema da política externa brasileira.”

Depois de um intervalo ocorreu a palestra “O País das Armas: Até que Ponto a Abordagem é Pacífica”. Robert Muggah, Melina Risso e Heni Ozi Cukier comentaram sobre a produção de armas e como elas acabam se tornando ilegais. Traçaram o panorama da violência no mundo e conjecturaram sobre como os Estados deveriam agir em resposta aos índice de violência. Em uma breve apresentação de dados, Muggah mostrou que se estima a existência de 875 milhões de armas no mundo, sendo que 25% dessas estão apenas nos Estados Unidos. Ainda em relação a esse total, 74% estão com civis, menos de 1% com grupos armados, 23% com militares e 3% com a polícia e agências de seguranças. Melina levantou um ponto interessante: o Brasil, que constantemente busca uma posição de destaque no cenário mundial, é omisso tanto nacionalmente quanto internacionalmente em relação ao controle de armas. Em resposta ao posicionamento dos seus colegas palestrantes que culpam as armas pela violência, Heni disse que o porte de arma tanto pode ser um fator que aumenta a violência como pode ser um fator que transparece segurança. Apesar de sua posição polêmica, Heni utilizou-se de aspectos da teoria realista para confrontar a posição de Melina, o que animou o debate.

Com o tema “Entre Global Player e Regional Leader: Integração é a Chave para Liderança”, o embaixador Clemente Baena Soares, Dante Sica e Rubén Aguillar expuseram suas ricas experiências e perspectivas sobre o tema. Baena Soares lembrou os blocos de integração regional em que os países da América Latina estão envolvidos como o Mercosul, a Aliança do Pacífico, a Unasul e a Alba. Ele disse que o Mercosul é “prioridade absoluta para o governo brasileiro, pois os ganhos absolutos são impressionantes”. Já Sica focou sua exposição no atual ordenamento mundial, nos desafios da integração regional e na importância de o Brasil emergir como uma liderança. Por fim, Aguillar focou sua fala nos benefícios que as relações Brasil-México trariam para a economia latino-americana.

Continuando um tema que foi abordado rapidamente pelo embaixador Barbosa, os embaixadores Rubens Ricupero, Luiz Felipe Lampreia e José Botafogo aprofundaram o tema “Protecionismo Brasileiro: Impasse para um Destaque na Organização Mundial do Comércio (OMC)”. Partindo da palavra-chave “competitividade”, Ricupero comentou sobre as falhas na infraestrutura brasileira e principalmente como isso afeta os custos dos produtos e a oferta. Botafogo levantou um ponto de comum acordo: a necessidade de retomar as negociações da Rodada de Doha e Uruguai sobre tópicos agrícolas e industriais. Na sessão de perguntas, questionaram os embaixadores sobre a tentativa do Brasil de ocupar a diretoria-geral da OMC com a candidatura do diplomata Roberto Azevêdo mesmo sendo um país protecionista.

Com respostas parecidas, os embaixadores disseram que os líderes das agências especializadas têm de se “distanciar” de sua nacionalidade. Em outra pergunta, sobre protecionismo e o impacto sobre a indústria, os embaixadores foram categóricos em explicar o papel nocivo das proteções e a necessidade de investimentos e de buscar exportações de produtos com valor agregados e não apenas commodities.

Sem desmerecer as outras duas palestras, a razão pela qual essas quatro palestras nos interessaram foi pela possibilidade de transferirmos os conhecimentos teóricos de matérias como História das Relações Internacionais e Teoria das Relações Internacionais, além do que simulamos em Modelos das Nações Unidas para uma visão contemporânea e condizente com o tema geral do Eneri.”

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