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Em nota, MEC reconhece êxito de escola do Piauí e informa que melhorar o ensino médio no País é ‘o maior desafio’

Redação

09 Dezembro 2012 | 00h02

Em nota enviada ao Estado, o Ministério da Educação (MEC) reconhece o êxito na gestão da escola Augustinho Brandão, localizada em Cocal dos Alves – um dos municípios mais pobres do interior do Piauí, a 260 km de Teresina – e confirma que o ensino médio do País é “problemático”. A Augustinho Brandão teve o melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011, quando se considera apenas as escolas que atendem a alunos mais pobres, com renda familiar de até 1 salário mínimo.

– Leia mais: Escola no interior do Piauí desbanca 5 mil instituições do País

Em maio deste ano, inclusive, o ensino em Cocal dos Alves foi destaque na campanha promocional das Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), produzida pelo MEC.

Confira, na íntegra, as respostas concedidas pela pasta ao ‘Estado’:

1. O MEC reconhece que o ensino médio no Brasil é a etapa que tem os piores indicadores e que seria a mais problemática de todo o ciclo básico?

Sim, esse é o maior desafio. Em relação aos índices de qualidade, o ensino médio atingiu a meta em todas as regiões, mas não houve destaque. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio brasileiro é 3,7. Tanto internacionalmente, quanto no Brasil, essa etapa de ensino é um grande desafio do sistema educacional. Quando observamos os dados do Ideb por estado, vamos ver que vários estados não alcançaram a meta, outros apenas atingiram a meta, e poucos a superaram de forma significativa. O índice de aprovação não avança, está estabilizado. A matemática e o português estabilizados. Primeiro, há que se colocar em debate a estrutura curricular. Temos 13 disciplinas obrigatórias na rede pública e, se contarmos as optativas, temos alunos com 19 disciplinas nas escolas. É uma sobrecarga muito grande e que não contribui para o aluno ter foco nas disciplinas essenciais, que são matemática, língua portuguesa e ciências. Um segundo problema é a parcela expressiva dos jovens no ensino médio noturno, principalmente os jovens que tiveram repetência no passado. É uma educação que tem de ser olhada com muita atenção.

2. Qual a perspectiva de melhoria? Em quanto tempo teríamos um ensino médio de qualidade?

O que estamos vendo em termos de perspectiva de futuro e por onde avançar no ensino médio é a educação em tempo integral. O professor tem ali uma dedicação exclusiva. Ele é um educador de tempo integral daqueles alunos. É outro tipo de relação. O desempenho é muito mais significativo, muito além da média da rede pública. Os países que têm uma excelente qualidade da educação investiram na educação de tempo integral. Essa é uma grande diretriz. O Programa Mais Educação do MEC prioriza escolas públicas com baixo Ideb e aumenta a carga horária diária em três horas. Não é um desafio simples, mas temos vistos muitos governadores e secretários de educação tentando avançar na educação integral. O Programa Ensino Médio Inovador, o ProEMI, instituído pela Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009, integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação, o PDE, como estratégia do Governo Federal para induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio a partir das novas Diretrizes Curriculares Nacionais desta etapa da educação básica. O programa prevê a ampliação do tempo dos estudantes na escola. Uma formação integral com atividades que tornem o currículo mais dinâmico, atendendo as expectativas dos estudantes do ensino médio e às demandas da sociedade contemporânea. O ProEMI teve seu projeto piloto iniciado em 2009. Em 2012, o programa foi ampliado para garantir o atendimento de cerca de 10% das escolas públicas de ensino médio em todos os estados, mais o Distrito Federal. A meta é alcançar 100% das escolas até 2015. O que se espera é a melhoria da organização da escola, o aprimoramento do seu projeto pedagógico e do seu currículo, buscando alternativas para uma escola adequada, ou seja, nós temos várias outras questões que precisam ser articuladas em relação a esse tema. A formação continuada de professores, incentivos para inovações organizacionais nas escolas, melhoria e aperfeiçoamento dos materiais didáticos. Há um conjunto de outras coisas que precisam estar articuladas, em virtude desses dados que mostram que precisamos avançar com mais rapidez na qualidade do ensino médio.

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