Democracia em exercício nas Arcadas
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Democracia em exercício nas Arcadas

Redação

25 Outubro 2010 | 17h24

Por Felipe Mortara

Na semana passada foram realizadas eleições no mais antigo e tradicional centro acadêmico do País, o XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP. Entre quarta e quinta-feira, mais de 1400 alunos compareceram ao pleito e elegeram a chapa de oposição Fórum da Esquerda com 737 votos, ou 52% dos válidos. A nova administração, que se opunha à gestão do ex-diretor Joao Grandino Rodas (hoje reitor da USP), toma posse no dia 1º de dezembro.

O carro-chefe de suas propostas é a consolidação de um plano diretor interno em parceria com a diretoria da Faculdade. A presidente eleita do centro, Maia Aguilera, de 21 anos, conta o que pretende com a ideia. “Queremos que os alunos se envolvam nisso, que participem. É o plano que vai definir o futuro da faculdade para os próximos 10 anos”, enfatiza. Está prevista também a concretização do grande e ambicioso projeto de construção de um clube sobre um terreno que o centro acadêmico possui na região do Ibirapuera, e que envolve captação de 14 milhões até agosto de 2011 por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

No início do ano o Fórum da Esquerda esteve à frente dos protestos contra a forma de como foi conduzida a mudança das bibliotecas para um prédio vizinho. “A vitória significa um novo modelo de movimento estudantil, menos como prestador de serviços e mais como um ator de transformação social. Queremos dar poder ao aluno dentro da universidade e levar suas opiniões para fora”, conta Maia. “É a concretização de um projeto coletivo do qual tenho feito parte desde que entrei na faculdade. É emocionante”.

Desde 2008 à frente do XI de Agosto, a chapa Resgate teve 609 votos e apesar da derrota, o candidato a presidente Raphael Lavez se diz satisfeito com o resultado. “A eleição reflete uma tendência natural, já que nosso grupo fez gestão nos últimos três anos. Reflete uma necessidade da faculdade que requer mudança”, conta.

Ele afirma que a alternância de poder é fundamental para poder ter bases de comparação. “A gente sofria, porque nos debates a gente não conseguia discutir a gestão dos outros, muita gente não presenciou uma gestão do Fórum da Esquerda. Para o próprio debate político essa alternância é importante”, acredita.

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