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Deficientes visuais fazem só metade do Enem no Rio e estudante que tem paralisia cerebral não completa a redação

Redação

04 Novembro 2012 | 20h33

Duas candidatas deficientes visuais do Rio terão de fazer a primeira prova do Enem aplicada neste sábado, 3 de novembro. Elas prestaram o exame em Belford Roxo, Baixada Fluminense, mas só tiveram acesso à prova de hoje. Segundo o Ministério da Educação (MEC), ambas tinham feito contato com a organização do Enem pedindo provas em braille, mas, por problemas operacionais, os exames de ontem não estavam disponíveis e elas tiveram de voltar para casa.

Jamilla Fernanda Macedo, de 21 anos, teve dificuldades para completar sua redação neste domingo, 4. A estudante, que sofre de paralisia cerebral, é moradora de Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte. De acordo com sua mãe, Frassinetti de Macedo Batista, apenas uma transcritora foi colocada à disposição de sua filha para o auxílio às resposta. O apoio funcionou muito bem na parte objetiva da prova, mas foi insuficiente na parte dissertativa.

Por conta da paralisia, Jamilla mal consegue falar e seus movimentos são muito limitados. Ao longo dos dois dias de exame, a transcritora que a acompanhou leu todas as questões e alternativas para a estudante, que apontou em uma placa que possuía todas as letras do alfabeto qual era a letra referente à resposta que julgava correta. “O maior problema foi na redação, pois ela teve de apontar letra por letra para formar palavras e só depois frases”, diz Frassinetti. Cansada ao fim do exame, Jamilla desistiu depois que alcançou sete linhas de texto.

FATIMASOUZA600.jpgJamilla junto a fiscal e transcritora no Enem


A mãe afirma que solicitou um computador à coordenadora da escola em que a estudante fez as prova mas, ainda assim, não teve o seu pedido atendido. “Se ela tivesse tido acesso a um computador, certamente seria mais fácil e ela teria se cansado menos”, diz a Frassinetti. De acordo com o MEC, a dificuldade da estudante só foi hoje comunicada à pasta, o que impediu uma ação imediata. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a necessidade de outros elementos de atendimento diferenciado deveria ter sido especificada no momento da inscrição. Frassinetti diz que não encontrou esta possibilidade no cadastro e, por isso, solicitou a presença de um transcritos apenas. Ela diz ainda que contatou os organizadores regionais do Enem há cerca de duas semanas. A resposta que lhe foi prometida, no entanto, não chegou.

A mãe afirma ter entrado em contato com o MEC nesta manhã via 0800, mas que a instrução que lhe foi passada era de que a autorização para o uso de um computador não poderia ser dada por telefone e que o fiscal responsável pela aplicação seria quem deveria avaliar as reais necessidades da garota. O MEC reitera que não teve tempo suficiente para atender às necessidades da estudante e que o fiscal não poderia lhe conceder qualquer computador para a utilização durante a prova.

De acordo com Frassinetti, no ano passado, Jamilla fez o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e recebeu todo o apoio e instrumentos que precisava para fazer a prova. “Não quero que ela tenha nenhum tipo de regalia, só que lhe seja respeitado o direito de fazer a prova, afinal ela estudou pra isso”, afirmou. Jamilla luta por uma vaga no curso de Turismo, da UFRN. / CRISTIANE NASCIMENTO E FÁTIMA SOUZA

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