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Defensores de cotas protestam contra possíveis mudanças na Fuvest

Redação

31 Março 2011 | 12h35

Por Felipe Mortara, do Estadão.edu

Com palavras de ordem contra o reitor João Grandino Rodas, a quem chamam de “ditador”, cerca de 40 pessoas estão protestando desde as 9h contra a aprovação de mudanças no vestibular da USP. Os manifestantes se concentram em frente ao prédio da administração central da universidade e reivindicam diálogo aberto sobre as políticas afirmativas adotadas pela instituição. Em resumo, querem cotas para estudantes de escolas públicas, e não a atual concessão de bônus pelo Inclusp, programa que está sendo revisto pelo Conselho de Graduação.

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O protesto foi convocado pelo Núcleo de Consciência Negra (NCN) da USP. Segundo o engenheiro bioquímico e aluno de mestrado na USP Leandro Salvático, de 29 anos, membro do NCN, é necessário discutir as mudanças propostas pela reitoria. “Queremos debater o projeto, e não que ele seja aprovado a toque de caixa”, disse.

Outros grupos defensores da adoção de cotas também participam da manifestação, como a rede de cursinhos pré-vestibulares gratuitos Emancipa. “O Inclusp não tem metas e, por isso, não é convincente. Nós queremos cotas para alunos de escolas públicas, com o recorte racial”, afirmou Cibele Lima, de 26 anos, representante da rede.

Diretamente afetados pelas mudanças, alunos do ensino médio reforçam o ato. Para Victor Rodrigues, de 16 anos, que está no 3.º ano da Escola Estadual Porcino Rodrigues, em Itapecerica da Serra, Grande São Paulo, a discussão sobre o vestibular não pode ficar restrito ao Conselho de Graduação da USP. “A elite precisa levar em conta os argumentos de todos”, disse o estudante, que levou sete colegas para participar do ato.

Danielle da Silva, também de 16, reclamou especialmente contra a possível perda de 3% de bônus no vestibular da Fuvest por ser aluna de escola pública. “Vir aqui ajuda a chamar a atenção para o que estão querendo fazer. Nossos direitos já são poucos e eles ainda querem tirar o que temos.”

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