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Cronologia da crise na USP

Redação

11 Novembro 2011 | 17h45

Quinta-feira, 27 de outubro

Três estudantes de História da USP, que estavam com maconha no estacionamento da FFLCH, são abordados pela PM. Houve quebra-quebra e protestos. O auge da confusão foi às 22h, quando os alunos estavam sendo levados ao distrito policial. A viatura em que eles estavam foi rodeada por universitários e teve vidros quebrados a socos e pedras. Alunos chegaram a subir em cima do veículo.

Para dispersar a aglomeração, a polícia lança bombas de gás lacrimogêneo. Estudantes revidam com pedras. Policiais então deixam o câmpus em alta velocidade. Pelo menos cinco viaturas foram depredadas.

Pouco depois, dezenas de estudantes invadem o prédio administrativo da FFLCH; segundo eles, era uma demonstração de repúdio à ação da Polícia Militar.

Sexta-feira, 28 de outubro

Manifestantes prometem só deixar o edifício quando a USP romper o convênio com a secretaria estadual de Segurança Pública que reforça o policiamento na Cidade Universitária.

Reitoria da USP lamenta os “incidentes” ocorridos na noite de quinta. Segundo nota, os fatos serão analisados pelo Conselho Gestor do Câmpus, que deverá apresentar “propostas para o equacionamento da situação”

Segunda-feira, 31 de outubro

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas monta uma comissão de três professores e dois funcionários para negociar a desocupação do prédio administrativo.

Terça-feira, 1º de novembro

À noite, assembleia de alunos no vão da História vota pela desocupação do prédio administrativo. Logo em seguida, com quórum menor, outra reunião vota a favor da ocupação do prédio da Reitoria. A ação seria repudiada pelo DCE, que presidiu a primeira assembleia.

Com pedras, pedaços de pau, rostos cobertos e portando até travesseiros, manifestantes arrombam garagem da Reitoria e invadem o prédio por volta de meia-noite.

Nota afirma que “[e]sta ocupação é uma continuidade da ocupação da administração da FFLCH, que será desocupada conforme deliberado no início da assembleia (…)  Continuaremos a luta contra a repressão e mantemos, portanto, os eixos centrais do movimento: revogação do convênio PM-USP! Fora PM! e revogação de todos os processos contra estudantes, professores e funcionários!”.

Quinta-feira, 3 de novembro

À tarde, reitoria da USP pede na Justiça a reintegração de posse do prédio.

À noite, assembleia dos manifestantes decide manter ocupação e resolve também transferir para a Reitoria uma festa da ECA (Escola de Comunicações e Artes)

Polícia Civil abre dois inquéritos contra os estudantes. O primeiro por danos ao patrimônio público, por causa das seis viaturas depredadas durante a prisão dos três estudantes com maconha; o segundo para apurar os danos ao prédio da FFLCH.

Sexta-feira, 4 de novembro

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e dos estudantes dizem que as negociações com a reitoria não avançaram.

Oficial de Justiça leva notificação aos manifestantes e dá prazo até 17h de sábado para desocuparem o prédio. Nenhum estudante aceita receber em mãos a notificação judicial.

Rafael Alves, de 29 anos, aluno de Letras e um dos ocupantes, afirma que o reitor João Grandino Rodas será responsável pela agressão aos alunos, caso a PM seja chamada para liberar o prédio.

Sábado, 5 de novembro

Comissão de Negociação da Reitoria participa de audiência no Fórum Hely Lopes Meireles com representantes dos alunos que invadiram o prédio. Na audiência, fica acordada a prorrogação do prazo de reintegração de posse até as 23h de segunda-feira , dia 7. Fica agendada para terça-feira, dia 8, uma reunião da Comissão de Negociação com os alunos, condicionada à desocupação do prédio no prazo previsto.

Segunda-feira, 7 de novembro

USP se compromete a não punir os estudantes e servidores que ocuparam o prédio da reitoria, desde que entreguem o prédio até 23h.

Terça-feira, 8 de novembro

Operação da polícia iniciada às 5h10 leva 400 soldados, 2 helicópteros e cerca de 50 viaturas ao câmpus. Eles portam cassetetes, escudos e armas com balas de borracha. Cerca de 70 manifestantes são encaminhados ao 91º Distrito Policial em dois ônibus, um para homens e outro para mulheres. Invasores são revistados ainda dentro do prédio e fichados na delegacia pela Polícia Civil. Outro grupo também é contido, ao apedrejar viaturas. Os vidros de duas delas foram danificados.

Detidos são indiciados por dois delitos: desobediência de ordem judicial e dano ao patrimônio público. A polícia tinha informado inicialmente que os 72 também seriam indiciados por crime ambiental e estudava até a possibilidade de eles responderem por formação de quadrilha, mas ambos os delitos foram descartados.

Os deputados estaduais Carlos Giannazi (PSOL), Adriano Diogo (PT) e João Paulo Rillo (PT) tentam no 91.º DP negociar a redução do valor da fiança, de R$ 1.050. O valor é reduzido para um salário mínimo (R$ 545).

Central sindical CSP-Comlutas, ligada ao Sintusp, paga as fianças, no valor total de R$ 39.240.

Garota publica vídeo em que mostra a ação policial na moradia universitária, o Crusp.

Manifestantes bloqueiam as duas entradas da Faculdade de Letras, improvisam barricadas nos corredores, e impedem alunos de ter aulas.

Um grupo de quatro alunas e dois professores do Cursinho do Crusp fica sem usar as salas de aula da FFLCH – funcionários trancaram as portas porque alunos estavam retirando carteiras para fazer barricadas.

Assembleia novamente no vão da História, desta vez com cerca de 2 mil alunos, delibera por greve dos estudantes.

Primeiro invasor da Reitoria deixa o DP às 23h11.

Quarta-feira, 9 de novembro

Último invasor da Reitoria deixa a delegacia ainda de madrugada.

Adesão à greve é fraca e apenas Letras tem aulas suspensas.  Em outras grandes unidades, como a Escola Politécnica e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), o dia é normal. O Centro Acadêmico da FEA e o Centro de Engenharia Elétrica divulgaram notas posicionando-se contra a greve.

Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), uma assembleia com cerca de 400 alunos de Arquitetura decide, por maioria, aderir à paralisação. O curso de Relações Internacionais também vota pela adesão.

A Associação dos Docentes da USP (Adusp) decide não aderir à greve dos estudantes. Professores, porém, confirmam participação na assembleia geral dos estudantes marcada para quinta-feira em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro.

Debate sobre a USP fica intenso na internet.

Quinta-feira, 10 de novembro

De manhã, manifestantes bloqueiam novamente as duas entradas da Faculdade de Letras. Estudantes pedem aula, promovem empurra-empurra e furam o bloqueio.

À tarde, passeata no centro de São Paulo parte da SanFran e reúne até 5 mil manifestantes (segundo os organizadores). Assembleia realizada em seguida na Faculdade de Direito reitera manifestação pela greve.

À noite, divulgado resultado das eleições para o centro acadêmico da SanFran: chapa Resgate vence Fórum da Esquerda por 829 votos a 520.

Nos dias 22 a 24 de novembro, haverá eleições para o DCE da USP.