Caminhos que levam à Singularity University
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Caminhos que levam à Singularity University

Redação

25 Junho 2012 | 23h52

Ray Kurzweil, fundador da Singularity University, em 2001, escreveu um ensaio chamado “A Teoria das Mudanças Aceleradas”, que descreve o crescimento exponencial do progresso tecnológico. Pense na sua vida há dez anos: Era o início da popularização da banda larga em casa e da troca de texto via SMS pelos celulares. Hoje, à sua volta, há mais smartphones com 3G do que lares com acesso rápido à internet em 2002. Essa mudança acelerada possibilitou o crescimento exponencial do conhecimento humano, assim como o poder das ideias – de transformar o mundo.

O acesso ao conhecimento mudou os relacionamentos de poder. O paciente questiona o médico pesquisando seus possíveis tratamentos. A onda de democratização gerada pela globalização dos meios de comunicação impulsionou a queda do muro de Berlim e, agora, sopra mudanças no Egito e na Tunísia.

Hoje, mais do que nunca, não importa o problema a ser enfrentado, de negócios e saúde a desafios políticos e culturais, existe uma ideia que é a chave que abre a porta da solução. A ideia – o processo que une a compreensão e a criatividade – nos capacita a resolver os problemas que estão à nossa volta e a encontrar soluções impressionantes que transformam sociedades em um período de tempo cada vez mais curto.

Estudei a maior parte da minha vida em escola pública e fui a primeira pessoa da minha família a concluir o ensino superior. Hoje, posso dizer que são essas duas coisas, o poder transformador de uma ideia e do acesso à informação, que me levam à Singularity University (SU) nesse verão, como vencedora do concurso cultural Call to Innovation, patrocinado pela FIAP – Faculdade de Tecnologia e parceira exclusiva da SU no Brasil.

Expectativas

A Singularity University vai ser para mim não só uma experiência rica academicamente, mas também vai ser muito transformadora em minha vida pessoal e profissional: são 80 alunos, de 34 países, vindos de universidades como Cambridge, Oxford, Yale, Harvard, Stanford e MIT.

Essa vivência vai ser determinante em um programa tão intenso: 10 semanas dentro do NASA Ames Research Center, em Mountain View, Califórnia, com basicamente 12 horas de atividades diárias, de palestras e visitas a campo até desconferências e apresentações relâmpago, em que os alunos precisam expor seus pontos de vista em até 5 minutos.

No Graduate Studies Program, seremos expostos às 10 linhas acadêmicas da universidade nas primeiras semanas e, mais para frente, vamos escolher uma delas para nos aprofundar e elaborar os projetos finais. Os projetos são o ponto alto do programa: é a oportunidade de propor uma solução para grandes desafios da humanidade como energia, saúde e pobreza, e até mesmo transformar o projeto um negócio de verdade.

Caminho novo ou meio caminho andado?

A Singularity University oferece a oportunidade perfeita para aprofundar conhecimentos na minha área, que é o uso da tecnologia na educação. O caminho natural seria optar por uma linha acadêmica que complemente a experiência que eu já tenho, mas é impossível não pensar nas oportunidades que somente a Singularity vai me oferecer, como trabalhar em um projeto relacionado à exploração do espaço, à biotecnologia ou às energias renováveis, por exemplo.

Nas minhas conversas com os alunos que concluíram o GSP em outros anos, os conselhos foram os mesmos: na escolha dos times de projeto, levar em conta também as pessoas e não somente a área de estudo e, na escolha do desafio para o qual vai ser proposta uma solução, se abrir para novos caminhos e deixar que essa oportunidade única te leve a lugares que você jamais sonhou. Em resumo, buscar a experiência como um todo, e não somente os frutos que você pretende colher em termos de carreira.

Acredito que vou seguir os conselhos dos meus seniores.