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Atatürk é o cara

Redação

04 Janeiro 2012 | 09h38

* Por Victória Bragatto, de 16 anos. Aluna do ensino médio em Vitória (ES), está na Turquia fazendo intercâmbio desde novembro pela AFS Intercultura Brasil

“É fácil colocar em palavras tudo o que Atatürk fez pela Turquia: entre outras coisas, transformou o Império Otomano em uma República, separou governo e religião, modernizou o país. Até reformou a língua, introduzindo o alfabeto latino. Mas é muito difícil dizer exatamente o que tudo isso significou. Vou tentar, então, mostrar.

É dia 10 de novembro de 2011, uma quinta-feira, e você está na Turquia; por acaso, você está em uma escola na Turquia. Logo que você chega ao pátio, você vê uma aluna de outra série levar um buquê de flores amarelas até o busto de Atatürk. E então você segue para a sala de aula, só para ser chamado novamente ao pátio 50 minutos depois. São, agora, 8h50 e você está congelando do lado de fora esperando por algo que você não sabe o que é. Alguns minutos depois, a professora de música aparece ao lado do busto: vamos cantar o hino. Mas estranhamente a bandeira já foi hasteada para o topo; e, enquanto cantamos, ela é lentamente hasteada até a metade do mastro. E ali ela permanece, às 9h05, com todos ao redor em silêncio. Porque nesse dia, em 1938, e nesse mesmo horário (e o relógio do quarto ainda está parado), Mustafa Kemal Atatürk morreu, no Palácio Dolmabahçe, em Istambul.

Depois disso, cantamos o hino de novo e a bandeira voltou para o topo. Seguimos então para o auditório, decorado com flores e velas, onde três alunos fizeram discursos e apresentaram slides sobre Atatürk. Depois assistimos ao filme Veda (“adeus”, em turco), que conta sobre a vida dele. Mas isso foi na minha escola.

Digamos que você estivesse no meio da rua. Você veria os carros e pessoas pararem nas ruas, assim me contaram. Em dias normais, você ainda vê a bandeira da Turquia, pôsteres com o rosto de Atatürk e adesivos com a assinatura dele em todos os lugares. Na escola, cada sala de aula tem seu exemplar de um portarretrato com uma foto dele e o texto do hino nacional. Na verdade, cada livro escolar também. No Kahve Dünyası  (“mundo do café”), uma espécie de Starbucks turco, há acima do caixa uma foto de Atatürk tomando café. Por todas essas coisas, a gente pode começar a entender o que ele significa para a Turquia.

Falando em café, café turco é uma delícia e a melhor parte é adivinhar o futuro depois. Não entendo muito de café, mas o daqui tem bastante textura. Quando você termina, vira a xícara no pires e deixa ali por um tempo enquanto o café escorre. Depois você olha dentro da xícara e algumas imagens se formam nas bordas: eu consegui ver até o Bósforo quando li a sorte da minha mãe. =)

Vou deixar para contar sobre o Natal (aqui, “Noel” – e existe, sim!) e réveillon em um próximo post, porque quando esse daqui sair já vai ser 2012. Mas, de qualquer maneira, Feliz Ano Novo – mutlu yıllar!”

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