Alunos da PUC-SP protestam contra declarações de bispo
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Alunos da PUC-SP protestam contra declarações de bispo

Redação

15 Março 2012 | 09h44

* Por Carlos Lordelo

SÃO PAULO – A Prainha da PUC-SP, no câmpus de Perdizes, zona oeste, amanheceu coberta de cartazes em protesto contra as declarações do bispo emérito de Guarulhos, que defendeu que professores com ideias contrárias às da Igreja Católica não devem lecionar nesta universidade.

Uma canga com as cores do arco-íris foi estendida sobre um corrimão. Em sete cartazes, colocados no chão, estava escrito:

“Sou gay”

“Se o Papa fosse mulher, o aborto seria legal e seguro”

“PUC: P*** Universidade Conservadora”

“Pela legalização do aborto”

“Sou maconhera” (sic)

“Sou comunista”

“Eu sou mulher / não abro mão / da laicidade na educação”

Cartazes colados nos corredores da PUC-SP, por outro lado, defendiam a posição do bispo. Uma montagem com fotos e frases de d. Luiz Gonzaga Bergonzini pedia aos simpatizantes que aderissem ao movimento “Por uma PUC católica”.

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D. Luiz, de 75 anos, escreveu em seu blog que docentes que são a favor da descriminalização de aborto, eutanásia, maconha e mantêm “ideologia homossexual ou comunistas” devem deixar a PUC-SP e procurar outra instituição para trabalhar.

No texto “Graças a Deus, a PUC não é uma ‘progressista universidade comunista’!”, ele defende que a universidade é subordinada à Igreja e deve seguir seus mandamentos. “Se a PUC é da Igreja Católica, deve seguir o Evangelho e a moral cristã. Não pode ter em seu corpo docente professores contrariando os ensinamentos da Igreja Católica, dentro ou fora da sala de aula”, escreveu em post publicado no último dia 3.

Ele cobra que a direção da PUC tome “providências” para que os “princípios cristãos e o catolicismo sejam respeitados”. Estudantes também não são poupados. “Os alunos que prestam vestibular para a PUC já sabem que ela obedece aos princípios do catolicismo. (…) Eles estão obrigados a cumprir as regras.”

D. Luiz é conhecido por seus posicionamentos conservadores em relação a esses temas. Na eleição presidencial passada, foi ele quem “recomendou” a eleitores que não votassem em Dilma Rousseff (PT) porque ela seria favorável à descriminalização do aborto.

* Atualizada às 12h20