USP gasta por mês R$ 90 milhões a mais do que recebe

Paulo Saldaña

29 Maio 2014 | 14h07

A Universidade de São Paulo (USP) gasta por mês R$ 90 milhões a mais do que recebe de repasses do governo estadual. Segundo cálculo da reitoria, mostrado em comunicado encaminhado ontem para os alunos, a instituição gastará mais de R$ 1 bilhão acima da receita e terá de recorrer a suas reservas.

A previsão atual de gastos além do orçamento é quase o dobro do que foi desenhado em fevereiro, quando a universidade aprovou o orçamento deste ano com a previsão de corte de 30% em custeio e investimento, como estadão.com.br revelou. O orçamento falava na utilização adicional de R$ 574 milhões das reservas ao longo do ano.

Por causa da crise financeira, além de cortar gastos, a USP e as demais estaduais – Unicamp e Unesp – congelaram os salários neste ano. As três universidade estão em greve. O comprometimento do orçamento da USP com pessoal no primeiro quadrimestre deste ano chegou a 104,2%. Na Unicamp, foi de 96,3% e, na Unesp, de 94,4%.

Segundo o informe de ontem, a USP recebe, em média, R$ 360 milhões por mês, enquanto gasta R$ 375 milhões com salários e benefícios e R$ 75 milhões adicionais com outras despesas, entre elas, o que foi comprado em 2013 e que vem sendo pago em 2014.

A reitoria diz que as ações de economia ainda não têm surtido efeito, entre elas a suspensão de novas contratações e a revogação da distribuição de mais de 500 cargos docentes. O motivo apontado é que, apesar de o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ter crescido neste ano, o gasto com a folha também se ampliou. No quadrimestre, a USP recebeu do Estado R$ 1,44 bilhão – de acordo com o porcentual fixo destinado por lei à universidade. Isso representou um crescimento de 8,9% em relação ao mesmo período de 2013. “Mas as despesas com salários e benefícios também cresceram (8,2%) e chegaram a R$ 1,5 bilhão”, aponta o informe.

Segundo a reitoria, a previsão é de que a situação piore, “uma vez que ainda falta incorporar à folha de pagamentos mais da metade das 6.579 promoções efetuadas”. A mensagem, enviada do gabinete do reitor Marco Antonio Zago, defende que a manutenção dos gastos com folha de pagamento “nos limites do orçamento” é indispensável para que a USP não entre em “inadimplência”. Sindicatos dos professores e servidores exigem reajuste.

Reportagem publicada na edição impressa de O Estado de S. Paulo