USP abre sindicância para investigar contratos de fundação

USP abre sindicância para investigar contratos de fundação

Fundação de Apoio à USP (Fusp) contratou empresas de professores em projetos com parcerias com órgãos públicos, segundo revelou reportagem do Estadão deste domingo. Até o diretor da Fusp teve empresa em nome de familiares entre as contratadas

Paulo Saldaña

17 Agosto 2015 | 16h59

A Universidade de São Paulo (USP) abriu uma Comissão Sindicante para apurar as denúncias reveladas no domingo, 16, pelo Estadão de que a Fundação de Apoio à USP (Fusp) contratou empresas de professores em projetos com parcerias com órgãos públicos. A reitoria também convocou o Conselho Curador da Fundação para uma reunião extraordinária para “determinar as providências cabíveis no âmbito da Fusp”.

Sede da Fusp, na entrada da universidade. CLAYTON SOUZA/ ESTADÃO

Sede da Fusp, na entrada da universidade. CLAYTON SOUZA/ ESTADÃO

O próprio diretor da Fusp, José Roberto Cardoso, foi beneficiado com um contrato de R$ 546 mil com uma empresa ligada a seus familiares. O contrato faz parte de projeto de R$ 12 milhões firmado sem licitação entre a fundação e a Prefeitura de São José dos Campos para os estudos do sistema de corredores de ônibus na cidade, o chamado BRT.
Após ser questionado pela reportagem na semana passada, a USP informou que o Cardoso pediu afastamento – Fusp e Cardoso não responderam as perguntas da reportagem. Segundo nota da reitoria, o professor se afastou para “oferecer plena liberdade de apuração dos fatos”.

Professores da USP, alguns deles de coordenadores de projetos da Fusp, também conseguiram contratos por empresas em seu nome ou de familiares, conforme revelou a reportagem. Uma empresa em nome de duas secretárias da fundação aparece entre as beneficiadas.

Leia mais:

Fundação da USP paga empresas de docentes

Após ser questionado, diretor deixa o cargo

Pesquisadores da USP são sócios de firmas beneficiadas por contratos

‘Há de ser investigado contrato por contrato’, diz OAB

Em nota, a reitoria defendeu seu “compromisso com a ética e transparência”. “A Reitoria da USP, tendo em vista seu compromisso com a ética e a transparência em todos os seus atos, decidiu constituir uma Comissão Sindicante para apurar os fatos mencionados na reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 16 de agosto”, informou em nota.

A reunião do Conselho Curador da Fusp, que tem o próprio reitor, Marco Antonio Zago, como presidente, foi convocada para quarta-feira, dia 19 de agosto. A reportagem pediu novamente entrevista com Zago, que preferiu não se manifestar sobre o caso.

O Código de Ética da USP condena o conflito entre os interesses pessoais dos servidores e os da universidade. O cargo de direção na fundação não é remunerado – a não ser por coordenação de projetos – e quem faz a indicação é o próprio reitor. Como presidente do conselho curador da Fusp, o reitor é responsável “pela aprovação e acompanhamento das atividades” da fundação.