O impasse na greve dos professores da rede municipal de SP

O impasse na greve dos professores da rede municipal de SP

Paulo Saldaña

23 Maio 2014 | 19h04

A greve dos professores da rede municipal de São Paulo completa um mês nesta sexta-feira, dia 23, no meio de um impasse sem previsão de acabar. A gestão Fernando Haddad (PT) diz ser impossível, por condições orçamentárias, atender à principal reivindicação – a incorporação de um abono prometido a quem recebe o piso. Os sindicatos que lideram a paralisação não aceitam sair do movimento sem uma data para essa incorporação. Ao mesmo tempo, a greve cresceu e continua crescendo (mais do que a cúpula do governo esperava).

Em ato nesta sexta, os professores decidiram manter a greve.

Mesmo sob chuva, professores participaram de ato. ALEX SILVA/ ESTADÃO

Todas as reivindicações de uma categoria desvalorizada como a dos professores são legítimas, e não é diferente nessa greve. Os educadores insistem que a motivação não é só financeira: a luta é também por melhorias nas condições de trabalho. Mas o que pode colocar fim à greve é o impasse salarial, por isso esse é o foco do debate.

Os argumentos dos dois lados não podem ser ignorados.

A Prefeitura entende que os 13,43% de reajuste anunciados neste ano representam um aumento real para os profissionais da educação e um esforço orçamentário que chegou no limite. Para quem recebe o piso, ofereceu um abono complementar de 15,38% – que aguarda aprovação dos vereadores.

Liderados pelo Sinpeem e Aprofem, dois dos cinco sindicatos da categoria, os profissionais argumentam que o índice faz parte de direito já conquistado em 2011 – o reajuste estava previsto em lei da gestão Gilberto Kassab (PSD). Além de exigirem o a incorporação do abono, os sindicatos acusam a Prefeitura de não ter cumprido promessas conquistadas no fim da greve do ano passado. A principal seria um reajuste de 11,46% a ser pago em três parcelas. A Prefeitura argumenta que não houve acordo oficial sobre o ponto e que, por falta de orçamento, não retomou a proposta.

Mas por que a Prefeitura não marca logo uma data para incorporar o abono e acaba com a greve? Ao fazer isso, calcula o município, os 15,38% refletiriam automática e proporcionalmente a todos os profissionais. O que, segundo o município, é inviável garantir agora. Por isso a negociação empacou.

Disputa. Integrantes do governo veem motivação política na greve, por causa das eleições sindicais e pelo histórico político do presidente do Sinpeem, Claudio Fonseca – que foi vereador pelo PPS, partido de oposiação ao PT. Mas, dado o aumento da adesão, esse papo acaba perdendo força. A greve ganhou corpo e PT, Haddad e o secretário de Educação, Cesar Callegari, começam a virar os alvos de críticas cada vez mais pesadas nas manifestações e nas redes sociais.

O empregador sempre tem como ferramenta de pressão a possibilidade de corte de ponto. O grevista acaba assumindo esse risco, mas o desgaste político de deixar professores sem salário é até maior. No ano passado, a Prefeitura condicionou o fim da greve à decisão de não descontar dias parados. A disputa nesse sentido já começou.

Saiba mais:

A proposta de abono de 15,38% anunciada pela Prefeitura teria impacto para 23.931 professores ativos que recebem os pisos, segundo dados da Secretaria de Municipal Educação. O Sinpeem diz que são apenas 16 mil. O valor do salário depende da categoria de contratação – de acordo com a jornada e habilitação profissional.

Confira aqui o informativo do Sinpeem aqui.