MEC vai mapear escolas inovadoras

MEC vai mapear escolas inovadoras

Intuito é superar isolamento de experiências e fomentar uma mudança de cultura em torno de novos modelo de escola

Paulo Saldaña

13 Setembro 2015 | 18h37

O Ministério da Educação (MEC) abriu no último dia 5 uma chamada pública em busca de escolas criativas e inovadoras. A pasta quer reconhecer e mapear iniciativas escolares que fujam do modelo tradicional, com o intuito de superar o isolamento dessas experiências – uma condição que quase sempre marca esses projetos – e fomentar uma mudança de cultura em torno do modelo de escola.

Projeto Âncora, em cotia (SP). DIVULGAÇÃO

Projeto Âncora, em cotia (SP). DIVULGAÇÃO

O MEC vai identificar, reconhecer e criar um mapa georreferenciado das iniciativas – a partir do cadastro que as próprias escolas devem fazer de seus projetos. A pasta recebe até o dia 23 de outubro as inscrições no site criatividade.mec.gov.br.

Um dos objetivos é que universidades aproveitem essas escolas como centros de pesquisa, formação e estágio. Não há, por enquanto, intuito de criar um programa para induzir tais práticas.

A escola pouco se alterou com o passar dos anos. O modelo com alunos organizados em fileiras, divisões por séries, aulas expositivas de 50 minutos e provas ainda prevalece, mesmo com inúmeros diagnósticos de que isso não atende mais às demandas dos jovens. “Promover a transformação no ambiente escolar é importante no sentido de atender as necessidades do século 21. Mas é necessário que se crie demanda para que professores, pais e crianças desejem essa transformação. Não vamos construir um programa, mas fortalecer o que existe e dar visibilidade”, afirma a educadora e assessora especial do MEC Helena Singer, que coordena um grupo de trabalho criado para tocar o projeto. “São poucas instituições que organizam o ambiente escolar de forma diferente do tradicional e as que aparecem são sempre as mesmas iniciativas. Às vezes existem experiências próximas e a comunidade não sabe. O objetivo é jogar luzes.”

Helena comanda um grupo central de 16 especialistas, que se desdobra em outros oito grupos regionais. Definir o que se entende como inovação e criatividade nas dimensões da gestão, currículo, metodologia e do próprio ambiente escolar é uma das tarefas desses grupos.

A chamada pública é aberta para escolas públicas e particulares, organizações não escolares, como ONGs, e também para projetos ainda não implementados. Nos projetos já em andamento, serão levados em conta o sucesso e os resultados alcançados por essas escolas.

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Para  Helena, faltam referências de inovação. “Professores, diretores, secretários de educação, alunos e pais não têm muitas informação sobre essas iniciativas”, diz ela. A educadora ressalta que as dificuldades para que haja um número maior de experiências inovadoras passa pelas deficiências do modelo de formação inicial de professores, mas o principal fator é a ausência de uma cultura de inovação. “Depois de 20 anos de militância em torno de inovação na educação, percebo que o maior desafio é a mudança de cultura dos professores, dos pais, gestores e até dos alunos. Quando falamos de inovação e criatividade,  estamos falando em mudança de cultura. Muitas vezes os conceitos são ensinados na formação dos professores, mas no formato antigo”, completa.

A previsão é que o resultado seja divulgado no dia 11 de dezembro. O mapa das iniciativas deve ser divulgado no começo do ano que vem.