Depois da greve, desafio da Prefeitura de SP é garantir sucesso do projeto na Educação

Paulo Saldaña

03 Junho 2014 | 23h49

Os profissionais de Educação encerraram nesta terça-feira, dia 3, uma greve que já durava 41 dias. A Secretaria de Educação tem agora pela frente o desafio de garantir as reposições para cumprir o ano letivo mínimo de 200 dias, mas outras repercussões na rede ainda são imprevisíveis – principalmente sobre a adesão dos profissionais para o sucesso do programa educacional lançado pela gestão.

Apesar do combustível político da paralisação – que foi forte nesse movimento -, a greve cresceu muito ao longo dessas semanas (mais do que a Prefeitura imaginava, como já disse por aqui). Mas com o movimento, também fica cresceu certa sensação de insatisfação com atual gestão, tanto em relação ao prefeito Fernando Haddad (PT) quanto ao secretário Cesar Callegari.

É natural que, no ambiente de manifestações, o coro contra os governantes seja inflamado por quem está na rua, com músicas e faixas de ataques – alguns até bem humorados. Isso não se consolidará na rede necessariamente, mas vai se somar com o certo grau de desinformação que recaiu em parte dos profissionais. Alguns que conversei nas manifestações faziam certa confusão entre os índices de reajuste anunciado para toda a rede e o abono para quem recebe o piso. Além disso, estavam semanalmente impactados com o discurso dos sindicatos de que a Prefeitura mentiu, não cumpriu promessas e não negociou. 

É bom lembrar: em menos de um ano e meio à frente da Prefeitura de São Paulo, Haddad já  encarou duas greves na rede municipal de Educação. 

Como todo trabalho em educação, o plano lançado pelo prefeito e por Callegari precisa do empenho dos educadores. O boletim digital, anunciado como uma das ações que aproximariam os pais da escola e reforçariam a maior cobrança do aluno, ainda não se concretizou. O próprio Sistema de Gestão Pedagógica (SGP), que viabiliza o boletim, foi ponto de impasse na greve e a Prefeitura deu mais prazo para fazer melhorias.

Claro que os profissionais comprometidos com a educação continuarão a fazer seu trabalho, mas é necessidade vital ter funcionários comprometidos com o projeto para se obter sucesso. E a secretaria terá de conseguir criar esse ambiente na rede.  

Nunca é demais repetir que a Educação é uma das áreas que mais se espera do prefeito – um bem avaliado ex-ministro da Educação.