Capes atrasa bolsas de pesquisadores

Capes atrasa bolsas de pesquisadores

Os atrasos ocorrem em diferentes modalidades de bolsas, de iniciação à docência a programas de pós-doutorado, e em vários locais do País. Órgão do MEC não responde a bolsistas e nega problemas

Paulo Saldaña

11 Dezembro 2014 | 21h26

Pesquisadores e estudantes estão com bolsas atrasadas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão federal ligado ao Ministério da Educação (MEC). Os atrasos ocorrem em diferentes modalidades de bolsas – de iniciação à docência a programas de pós-doutorado – e em vários locais do País. Segundo comunicado obtido pelo blog, a Capes estaria aguardando recursos do MEC para realizar os pagamentos.

A reportagem identificou problemas nesta quinta-feira, dia 11, no pagamento a bolsistas em Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Sergipe, São Paulo, Pernambuco, entre outros Estados. Em grupos de debate no Facebook, centenas de bolsistas reclamam que não conseguem nenhuma resposta da Capes sobre a situação.

As bolsas deveriam ter sido pagas até o 5.º dia útil do mês. O MEC defendeu em nota que todo processo para o pagamento teria sido efetuado entre 5 e 9 de dezembro, “conforme previsto”. Não informou, no entanto, por que o dinheiro não caiu na conta dos beneficiários. A pasta e a Capes não deram outros detalhes.

Mensagem encaminhada nesta quinta-feira a bolsista pela equipe de um dos programas da Capes (Observatório da Educação, o Obeduc), indica que o setor financeiro estaria aguardando recursos do MEC para o pagamento. “Ainda não temos uma previsão de data”, diz a mensagem.

capes

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) já procurou o órgão do MEC para obter alguma explicação sobre os atrasos. “Disseram que todas as bolsas foram pagas e que o problema havia sido resolvido, mas os bolsistas continuam relatando problemas”, diz a secretária geral da ANPG, Hercília Melo. Segundo a associação, o Programa de Bolsas para Pós-doutorado (PNPD) foi o mais afetado. Também foi atingido o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), além de mestrados e doutorados.

Pesquisadores relatam que já passam dificuldades para pagar as contas. “Não posso ter carteira assinada enquanto ganho a bolsa, então esse benefício é meu principal ganha-pão. Estou preocupado”, disse um mestrando da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que não recebeu a bolsa até agora e pediu anonimato. “Já liguei, mandei e-mails, e não dão respostas coerentes.”

No Facebook, bolsistas têm relatado “desespero” com a situação e “desesperança” com o pagamento. A mestranda em Educação Bruna Camargo, de 23, diz que não conseguiu respostas com a Capes. “Nos telefonemas, eles dizem que estão cientes do problema, mas não têm previsão do pagamento”, diz ela. “Nossas contas estão vencendo, eu mesma terei que recorrer a um empréstimo para pagar as constas. Ou então meu nome irá para o Serasa.”

Hercília Melo, da ANPG, disse que essa não é a primeira vez que a Capes atrasa bolsas. “O mais grave é que não sai um comunicado oficial, não há uma nota, nenhum cuidado, informando que os problemas serão resolvidos.”

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