80% dos contratos do Fies são de financiamento integral

Paulo Saldaña

19 Fevereiro 2015 | 11h00

Uma série de reportagens assinadas pelo autor deste blog, em parceria com os colegas José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli, do Estadão Dados, esmiuçaram o programa de Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal. As reportagens mostraram que, apesar de os gastos com o Fies decolarem de 2010 para cá, o número de alunos do ensino superior privado não cresceu na mesma ordem –  na verdade, o ritmo de expansão da rede particular até caiu.

O que aconteceu é que as empresas educacionais têm utilizado diversas estratégias para levar ao Fies o aluno que já era da instituição e que pagava do próprio bolso. O que significa dinheiro limpo para a empresa, um capitalismo sem risco. O aluno fica com a dívida e o risco de inadimplência vai para o governo.

O número de alunos do ensino superior privado não cresceu

Dos 1,9 milhão de contratos de Financiamento Estudantil (Fies), 80% são integrais – ou seja, financiam 100% do curso. Apenas 8% (155 mil) dos contratos são de 50%.

Para conseguir o financiamento total do custo do curso, os estudantes precisam ter renda familiar mensal bruta de até dez salários mínimos, contanto que o percentual do comprometimento da renda per capita com os encargos educacionais for igual ou superior a 60%. Do total de alunos no programa, 87% (1,6 milhão de pessoas) têm renda de até 5 salários mínimos. Só 2% dos contratos (46 mil pessoas) são de estudantes com renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos. 

Alunos de licenciatura, que forem atuar na rede pública como professores, poderão abater 1% da dívida do Fies a cada mês trabalhado. Médicos que forem atuar na equipe de Saúde da Família também podem ter o benefício.

Leia baixo todas as reportagens

Gasto com Fies cresce 13 vezes e chega a R$ 13,4 bi, mas ritmo de matrículas cai

Instituições têm alta evasão e baixas notas

Faculdade tem 99% dos alunos com Fies

Após denúncias, Uniesp recebe R$ 405 milhões

Com novas regras no Fies, mensalidades revertem queda e voltam a subir

Rede federal tem ritmo de expansão maior que particular

Coluna do Jose Roberto de Toledo: Pátria especuladora