Oficina combate as drogas com palestra educativa

Oficina combate as drogas com palestra educativa

Oficina do Estudante

09 Março 2018 | 09h38

Por Raquel Valli
imprensa@oficinadoestudante.com.br

“Qual é a pior droga que existe? É a que você usa, e é essa que você tem que combater”. A consideração foi feita aos alunos da Oficina do Estudante em palestra de combate aos entorpecentes ministrada pelo advogado Nelson Hossri, especialista em Dependência Química pela Unifesp e que palestra sobre o tema há 12 anos.

“Droga é droga. Se o videogame está atrapalhando a sua vida não deixa de ser droga”, acrescenta o palestrante – informando, inclusive, que no Japão já existem clínicas para esse vício específico.

Vigilância

Quanto às substâncias químicas, que comumente nos referimos como drogas – e que modificam funções, sensações e o comportamento dos usuários -, Hossri informa que 80% dos moradores em situação de rua, de Campinas, são dependentes químicos.

“São médicos, advogados, músicos. São pessoas como a gente, que tiveram oportunidades, mas que sucumbiram à dependência. Elas não nascem na rua, mas chegaram a essa situação”, declara ele – evocando as três fases do uso: macaco (diversão), leão (irritabilidade, agressão) e porco (perda da dignidade). “Nós precisamos falar sobre drogas. Temos que quebrar esse tabu. Temos que dizer o que é, como prevenir, como tratar e o que é que o município oferece como tratamento. Nós estamos falando de uma doença crônica, que é progressiva – como o diabetes; que não tem cura, mas que tem tratamento”.

O que fazer

Hossri lembra que não há uma receita fechada: “o que existe é um cardápio de recursos terapêuticos, e cada um deve abraçar o que mais funcionar pra si”.

Entretanto, os três pontos em comum – que todos os que conseguem se manter sóbrios têm – são: aceitação da doença; aceitação de impotência perante o vício; e vontade de superá-lo.

Família

Hossri também chama a responsabilidade da família na prevenção da doença: “quem manda na casa de vocês (alunos) são os pais de vocês, e vocês devem obedecer. A lei existe para estabelecer a ordem. E dentro de casa tem que ter regra. Recebo inúmeros pedidos de ajuda por causa de mãe que briga com a filha disputando roupa pra ir pra balada; de pai que briga com o filho disputando namorada. Isso não é relação de pais e filhos”.

O palestrante acrescenta também que: “tem gente que posta foto da criança com bigodinho de cerveja; que fuma na frente da criança; que não tem água na geladeira porque na casa só tem bebida alcoólica; que abra latinha perto da criança, sendo que o barulho chama mais a atenção do que brinquedo. Depois, como vai ter moral para dizer pro filho não fumar? Pra dizer pro filho não usar droga?”

Hossri lembra ainda que usuário tem discernimento, mas que o dependente químico, não. Isso porque dependente não tem controle sobre a droga, mas é controlado por ela. Ressalta ainda que nem todo usuário é dependente, mas que todo dependente já foi usuário: por isso ser tão importante a prevenção.

Escola

A palestra foi a primeira da série de ações do Oficina Comportamento. Assistiram à explanação alunos dos ensinos Fundamental II e Médio. “Eu me preocupo muito quando uma pessoa diz que vai usar só um pouquinho, porque no fim ela pode acabar virando estatística (de dependente)”, afirma o coordenador do Ensino Fundamental, Edvaldo Pereira Lopes.

Os alunos da Oficina gostaram muito da explanação – como Pedro Zonzini, de 13 anos, do 3º D: “foi muito importante, não só pelo assunto em si, mas porque eu pude aprender um monte de coisas”.

Palestrante

O advogado criou o Movimento “Sou Feliz sem Drogas”, com apadrinhamento de Padre Haroldo. Esteve à frente da Coordenadoria de Prevenção às Drogas de Campinas, de 2012 a 2016, idealizando e coordenando Políticas Públicas de Prevenção às Drogas. Hoje, é vereador, e se dispõe a ajudar dependentes químicos, além da população em geral. Pode ser contado pelo WhatsApp (19) 9-9655-4527, ou pelo e-mail nelson.hossri@gmail.com