Bullying: Quando o silêncio fala mais alto

Bullying: Quando o silêncio fala mais alto

Oficina do Estudante

17 Setembro 2015 | 12h01

Os sentimentos se dividem entre o completo abandono e o ser notado pelos motivos errados. Ser visto não por personalidade, amizade ou curiosidade. Servir apenas como alvo, como motivo de gozação e de brincadeiras nas quais apenas um lado se diverte, apenas um lado sai vitorioso. Está aí a essência do bullying, palavra que ganhou significado nos tempos modernos, muitas vezes se banalizou nas bocas de alunos, virou motivo de discussão em escolas e preocupação dentro das casas.

Especificamente no caso dos colégios, que são locais em que os estudantes passam a maior parte do dia, a atenção ao bullying precisa ser redobrada. De alunos a coordenadores, passando por professores, todos precisam se empenhar para coibir uma prática destrutiva, altamente prejudicial para o desenvolvimento de quem é vítima. Simone Victório, orientadora pedagógica do Colégio Oficina do Estudante, lida rotineiramente com esse tipo de problema. Ela destaca a importância de um contato próximo com os alunos para que se identifique da melhor forma agressores e vítimas de bullying: “Aqui no Colégio, eu procuro sair da sala, sempre dar uma circulada, conversar com os estudantes. Se vejo, por exemplo, um menino que sempre está conversando, alegre, brincando, deixado de canto, meio cabisbaixo, chamo para falar com ele e saber o que está acontecendo.”

O bullying se apresenta de muitas formas: Pode variar da implicância, pressão psicológica e até mesmo agressão física de apenas uma pessoa com a outra para a ação de um grupo que exclui a vítima do convívio. Nesses casos, os responsáveis devem agir: “Quando nós identificamos esse tipo de situação, nós chamamos quem está praticando e conversamos, damos aquele ultimato: Não pode acontecer novamente. Não pode haver ameaça e nem coação. Caso haja a reincidência, aí nós chamamos a família pra saber o que de fato está acontecendo com esse aluno e se eles tem ideia desse comportamento. Em casos mais graves, se esse comportamento não se altera, aí nós tomamos medidas mais enérgicas, como suspensão e até mesmo expulsão. O bullying não fica impune.”

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Para que essa luta contra o bullying seja vencida, é preciso que a escola trate o tema com a importância que ele precisa ser tratado. No Colégio Oficina do Estudante, por exemplo, o engajamento da instituição resultou em uma massiva campanha de conscientização.

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O projeto “No bullying, yes conhecimento” discutiu o assunto em inúmeras palestras, debates e conversas entre professores, pais e os próprios estudantes. Espaços como esse, reforça Simone, são essenciais para acabar com o bullying, uma vez que a maior arma é o diálogo: “Quem sofre bullying, não pode ter medo de falar, de denunciar o agressor. Tem que ver nas pessoas responsáveis – sejam professores, diretores, orientadores, pais – um porto de segurança e confiança que pode ajudar. Ficar quieto só faz com que as agressões aumentem e que o bullying cresça mais e mais em número de vítimas.”