Estudo do meio: formação do ser ético, político – e original

Estudo do meio: formação do ser ético, político – e original

Escola Morumbi

02 Fevereiro 2016 | 21h51

Um Estudo do Meio como a Expedição Brasília é a oportunidade para questionarmos, fiscalizarmos, propormos algo aos “senhores do poder”.

Um Estudo do Meio como a Expedição Brasília é a oportunidade para questionarmos, fiscalizarmos, propormos algo aos “senhores do poder”.

Nosso país vive um momento inédito.
Não porque vivamos um momento novo, mas porque nunca tantos brasileiros se interessaram tanto por política, participação e cidadania.

As manifestações de junho de 2013 mostraram que é urgente uma reforma política, constitucional e tributária – não apenas encabeçada pelos detentores do poder, mas discutida por todos nós, graças à expansão das redes sociais.

Entender o que é esse processo e debater essas mudanças é um exercício de cidadania que ultrapassa a mera votação cívica; é um aprendizado que deve passar pelos meios institucionais e organizações, como as escolas. É preciso propor uma educação para os novos tempos, que forme um estudante consciente de suas responsabilidades sociais e apto para discussões ético-politicas tão necessárias para o Brasil que queremos construir.

A melhor forma de alcançar esse objetivo é extrapolar a sala de aula, levando o aluno a conhecer – e vivenciar – casos concretos.

Nosso colégio propôs aos alunos a “Expedição Brasília”. O projeto é parte de nossa pedagogia Freinet (“tire os alunos das salas, que eles aprenderão”) e representou oportunidade única para que os conhecimentos trabalhados pelos docentes extrapolassem os livros e levassem os alunos à vivência de nossa história e exercício real de democracia.

E por que escolher visitar nossa Capital Federal? Brasília não representa apenas uma cidade moderna. Ela foi um sonho, um projeto. O país arquitetou sua política e sua forma de inserção na nova conjuntura internacional por meio de Brasília, com seu plano piloto, suas avenidas largas e sem semáforos, seus vãos livres dos edifícios, as vigas aparentes dos palácios, os espelhos d’água e o lago Paranoá.

A concretude de uma cidade democrática se realizou em cada um de seus espaços e no coração do Brasil; mas o que era para todos os brasileiros se limitou à classe dos políticos profissionais. Cabe a nós, agora, apropriarmos dessa construção democrática, conhecer seus meandros, seus gabinetes, seus escaninhos.

É a oportunidade para questionarmos, fiscalizarmos, propormos algo aos “senhores do poder”. O Estudo do Meio não é um fim em si. Ele começa antes, nas aulas de Sociologia, em que os sistemas partidários são ensaiados e analisados, nas aulas de Geografia, por exemplo, em que a apropriação do espaço do plano piloto é alvo de pesquisa mais aprofundada.

Mas há muito mais, pois no Ensino Médio cada disciplina pode apresentar um campo de exploração – a Geometria pode propor um trabalho de visão crítica às formas arquitetônicas; a Física o “clima de Brasília”; a História discussões em torno do “conjunto das Leis Trabalhistas”; a Biologia e a Química podem trabalhar políticas públicas acerca do uso e da preservação da água; a Língua Portuguesa pode mergulhar na “visualização da modernidade da cidade a partir das vanguardas europeias”; a Língua Inglesa e a Geografia propõem temas como “Terceirização”, “Lógica de localização de endereçamento do Plano Piloto”, “Diário de Bordo e a Monumentalidade”.

Toda essa diversidade de propostas está fundamentada no conhecimento desse espaço singular do país. Para os alunos do 9º ano trabalhamos  temas como “Análises de letras de músicas e/ou poemas de artistas brasilienses” em Língua Portuguesa, Redação e História; “Quantos e quem me representa no congresso nacional” em Matemática; “Candangos de Brasília: coragem e perseverança” nas disciplinas de História e Ensino Religioso; “Os Azulejos de Athos Bulcão” em Artes e Língua Francesa.

Tudo o que é realizado culmina na exposição dos diversos trabalhos e leva os estudantes a desempenharem um novo papel nessa sociedade que exige tanto de nosso olhar atento e analítico.

Os professores devem levar os alunos a buscar a plena conexão entre os locais visitados, os temas abordados e as diversas iniciativas que compõem uma expedição como essa. Inclusive os estudantes que não acompanham a viagem podem participar. Com eles trabalhamos a temática do cimento e do concreto armado, numa parceria inédita que realizamos com a FAAP.

Também é importante salientar a participação das famílias. Elas devem participar desde o início, com sugestões.

Por fim, vale lembrar que contatos com políticos possibilitam que estudantes dialoguem com autoridades do Legislativo – no nosso caso destacamos a deputada federal Mara Gabrili (PSDB) – e do Executivo o ex-Senador Eduardo Suplicy, Secretário de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo, além do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Prof. Me. Rangel Lima Garcia