M – Mitos sobre o que as escolas de MBA querem nos candidatos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

M – Mitos sobre o que as escolas de MBA querem nos candidatos

Claudia Gonçalves

13 Agosto 2013 | 07h03

 

O mito do super-herói

Quando as pessoas se interessam pelo MBA e começam a pesquisar sobre o assunto, logo vem a primeira preocupação: “ Acho que não tenho perfil; não sou super-herói. Não salvei crianças da fome na África, não revolucionei nenhum processo importante na empresa em que trabalho…”. Muito embora as escolas queiram ver indícios de que os candidatos tenham potencial para liderança, visão estratégica e realização, ninguém precisa ser super-herói. O segredo é conseguir mostrar esse potencial. Ao descrever episódios marcantes de sua vida, procure salientar como aproveitou as oportunidades que se apresentaram a você; quais as razões que o levaram a agir como agiu e os motivadores.

As escolas querem entender sua personalidade e seu estilo de liderança e perfil. Tente garantir a coerência entre sua história, seus valores, personalidade e sonhos. Mas como se diferenciar se alguns pilares são parecidos? Ter estudado engenharia ou administração numa escola de primeira linha, trabalhar em banco, consultoria ou uma grande empresa, ter feito programa de trainee, trabalho voluntário, empresa júnior. Apenas estes elementos não são suficientes para garantir esta diferenciação e posicionamento. Mas quando você começa a conectar estes elementos com seus valores, motivações, episódios de sua vida que tiveram papel especial para a definição de seus objetivos, crenças, talentos você consegue se diferenciar.

O mito do GMAT

Via de regra, em algum dado momento os interessados em MBA passam a acreditar que:

1-      Com um GMAT de menos de 700 pontos não conseguirão entrar em escolas top 5.

O GMAT médio das escolas de MBA top 5 é acima de 700, mas via de regra, se subtrairmos 50 pontos do score médio de uma dada escola, ainda estaremos dentro da faixa de nota competitiva. Por exemplo, se a média de uma escola é 730, se subtrairmos 50 pontos teremos 680, ou seja, se seu score for entre 680 e 730, terá chance.

Outros aspectos de seu perfil podem ajudar a compensar um GMAT, como por exemplo, um bom desempenho acadêmico na graduação ou em uma especialização.

Normalmente o GMAT mais alto é mais importante para os perfis mais competitivos, como consultores e pessoas que trabalham em banco de investimento – a maioria dos candidatos – e aqueles que, independente do setor em que estão fazendo suas carreiras, fizeram engenharia ou um curso com base mais sólida no quantitativo.

2-     Fazer mais de um GMAT pode atrapalhar, pois as escolas fazem uma média de suas tentativas no GMAT.

A maior parte das escolas considera apenas a sua última nota ou a sua nota mais alta. Não fazem média de seus scores.

Se você tiver feito mais de uma prova, apenas indique qual score quer que a escola considere.

O mito de que as cartas de recomendação precisam ser de alguém muito renomado ou com cargo muito alto.

O intuito é ter o depoimento e avaliação sobre você de pessoas que tenham efetivamente trabalhado com você e que te conheçam bem. Juntamente com seus essays, scores nas provas, histórico escolar e entrevista, as cartas de recomendação ajudam as escolas a ter uma visão mais abrangente de quem é você.

As escolas costumam pedir apenas duas cartas profissionais, sendo uma de seu superior imediato. Cada escola possui seu próprio formulário de carta de recomendação, que será enviado diretamente para o e-mail do avaliador assim que você designá-lo no application form, onde há um campo para se preencher o nome e dados de contato de seus avaliadores e a partir disso, o sistema envia automaticamente um e-mail com login e senha para cada um deles. Hoje em dia as principais escolas americanas e europeias possuem cartas de recomendação eletrônicas e não mais em papel.

A carta de recomendação possui algumas partes especificas – a primeira é o candidato que preenche ainda no application form, dizendo se abre mão do direito de posteriormente ter acesso à carta de recomendação. Muitos candidatos me perguntam o que é melhor responder e a verdade é que isso não influencia suas chances de ser aceito ou não, mas importa se você não for aceito e quiser entender qual o peso que suas cartas de recomendação tiveram nisso.

A segunda parte da carta de recomendação é um conjunto de perguntas – que vai de 3 a até 8 – dependendo da escola. Exemplos:

1)      Qual a natureza do contato com o candidato? com que frequência interagem?

2)     Pontos fortes?

3)     Pontos fracos?

4)     Situação em que o candidato demonstrou liderança?

5)     Situação em que deu um feedback construtivo para o candidato e como ele reagiu?

6)     Em que o candidato pode melhorar?

7)     Motivação para fazer o MBA?

8)     O que o candidato fará em 10 anos?

Ou seja, para responder estas perguntas, nas quais o avaliador deve descrever situações, citar exemplos para ilustrar sua avaliação, é mais importante escolher pessoas que o conheçam bem a escolher pessoas “importantes” mas cujas cartas correm o risco de ser muito superficiais.

Se o seu empregador não pode saber que você está aplicando, procure alguém de sua confiança pessoal dentro de sua empresa para escrever a carta e aborde o assunto no essay opcional.  Se empresa é sua e você não tem chefe: peça carta a um parceiro de negócios, cliente, fornecedor…e explique isso no essay opcional. Se trabalha em empresa da família: nunca peça carta para parente!  caso tenha algum superior que não seja da família, é este quem poderá escrever a carta; caso não tenha, procure alternativas como as descritas no caso anterior e também explique sua situação no essay opcional.

O mito de que carta de recomendação de alumni (ex-aluno da escola para a qual você está aplicando) faz o candidato entrar

Só tem sentido se a pessoa em questão conhece bem seu trabalho; caso contrário, estará desperdiçando uma oportunidade de alguém falar com propriedade e detalhe sobre você, impactando assim nas suas chances de ser aceito. Cartas de alumni com quem você não tem muita proximidade podem ser úteis como cartas adicionais a que chamamos side letters, que podem ser enviadas em separado, em etapas posteriores, como suporte adicional.

Mais conteúdo sobre:

MBA aplicação