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A – Arte de contar uma boa estória

Claudia Gonçalves

30 Agosto 2012 | 23h37

Estórias que prendem a atenção. Estórias que ficam. Sem dúvida esse é o tipo de estórias que os candidatos devem buscar contar e são as que os comitês de admissão querem ler!

Daí vem a angústia: será que tenho uma boa estória? o que as escolas querem ler? será que isso que fiz é importante?

Todas essas perguntas são pertinentes e a resposta é relativamente simples, embora não seja fácil executar. As escolas – assim como qualquer leitor gosta de ler uma boa estória, capaz de prender a atenção e da qual se lembrem. Em tese, qualquer estória pode ter este potencial e aqui entra a arte de contar estórias. Como qualquer receita, ajuda sim ter os ingredientes e instruções de como preparar o “prato”, mas a mão do cozinheiro é o elemento diferenciador.

INGREDIENTES:


1- Uma ideia central clara e simples. O seu essay deve ter uma ideia bastante clara e seu foco deve ser mais no que você quer provar do que no conteúdo. Por exemplo, se você quer mostrar sua capacidade de resolver um problema de forma criativa, cuidado para não se perder nos detalhes da solução ou ficar contando como a coisa toda aconteceu – isso seria o foco no conteúdo – mas procure primeiro apontar qual foi a situação problema e qual foi a sua solução criativa e provoque o leitor a se perguntar como você chegou lá e assim ele terá vontade de ler mais.

2 – Fatos que suportem ou construam a ideia central. Uma vez que você deixou seu leitor curioso, pense quais os fatos – detalhes concretos e tangíveis  – que o ajudarão a convencer o leitor de sua criatividade. Fatos e detalhes também ajudam a construir uma imagem de maneira sintética – algo como a parte pelo todo e dá ritmo ao texto. Deixe que a imaginação do leitor vá preenchendo as lacunas do texto.

3 – Crie uma lacuna de informação – mais ou menos como num suspense, primeiro vem o crime e depois pistas de como desvendá-lo. Por exemplo, se a proposta do essay fosse de contar uma experiência que mudou sua forma de pensar, um bom começo poderia bem ser algo assim: ” Quando entrei naquele avião que me levaria para Londres, não tinha ideia de que deixaria meu sonho de ser engenheira para trás para viver a aventura de estar entre os pioneiros de uma nova profissão que então surgia” .

4 – Escreva imaginando um leitor, no caso aqui imagine uma pessoa real do comitê de admissões e procure se colocar no lugar dele. Leia seu próprio texto como se fosse de outra pessoa e pergunte-se: Eu gostaria de ler isso? Ficou interessante? Qual a mensagem central?

5 – Conecte a estória com valores pessoais e detalhes que deixem entrever quem é você e como pensa.

 

Última dica:  não faça uma introdução longa que vai chegando devagarinho na ideia central…isso pode ter quase um efeito hipnótico no leitor. Imagine o membro do comitê que já leu uns 40 ou mais applications naquela manhã e daí vem o seu, quase com aquele começo “era uma vez”….Os essays são curtos e devem ter linguagem e mensagem precisos.

Em suma, uma boa estória no caso dos essays de MBA não implica necessariamente em você ter sido um herói ou ter economizado milhões, descoberto uma ferramenta revolucionária. Podem ser estórias singelas, mas que possam mostrar que você é ” MBA material”. Pode ter sido como você negociou uniformes/ patrocínio para seu time de futebol; como você ajudou seu irmão caçula a superar dificuldades na escola; como você conquistou uma vaga com uma estratégia inusitada…Mas o que quer que você conte, faça de maneira a não ser esquecido.