Lista de pedidos ao ENEM, INEP e MEC

Mateus Prado

08 Janeiro 2016 | 14h29

ENEM, INEP, MEC, nós queremos:

Queremos a Prova do ENEM em dois domingos;

Queremos uma hora a mais no segundo dia de prova do ENEM;

Queremos mais linhas para a Redação, para que quem quiser escrever mais tenha essa possibilidade;

Queremos Lei do silêncio, transporte público ampliado e nenhuma obra ou atividade que atrapalhe o trânsito no dia do ENEM – nem jogo do Brasileirão vale;

Queremos que o Norte e o Nordeste não tenham que ser prejudicados por a prova começar antes do almoço – e muito menos o Acre;

Queremos que a prova de Natureza volte ao normal – não dá mais pra fazermos um ENEM com questões fáceis, questões médias, questões difíceis e questões de química e física;

Queremos usar relógio durante a prova – não precisa ser digital não, nos contentamos com o outro – e não, nosso relógio analógico não é igual ao do James Bond, ele apenas ajuda a gente controlar nosso tempo de prova;

Queremos que vocês admitam logo que tanto a caneta preta como a caneta azul pode ser lida pelos computadores que corrigem a prova, ou que o estado brasileiro não pague mais a Mega Sena de quem aposta com caneta azul, né? Todo mundo sabe que os computadores leem com facilidade caneta azul, então esta regra não tem o menor sentido;

Queremos pelo menos duas edições do ENEM por ano, e que cada um fique com a melhor nota que fez nas edições daquele ano – isto já foi promessa do Governo. Lembrem que nos EUA são 7 por ano, sempre com o aluno fazendo quantos quiser e ficando com maior nota entre aquelas provas que fez. O Mateus Prado, que é o carinha que fala sobre ENEM defende 10 provas por ano, e que cada um faça quantas quiser, é só especializar as Federais na aplicação da prova;

Queremos que acabe esta história de nota para a Redação – basta determinar se “está apto” ou “não está apto” para o Ensino Superior. Chega de termos notas altas e vermos bons estudantes de fora da Universidade por causa daquela Redação que merecia nota 920 e veio com nota 800, ou que merecia 800 e veio com nota 600. É bom lembrar que, em geral, quem tem nota alta nas quatro provas objetivas é quem tem nota alta na Redação. O ENEM quer saber se estamos aptos para escrever e ser entendido no Ensino Superior ou se temos dom para sermos Carlos Drummond de Andrade ou Cecília Meireles? Reflitam sobre isso;

Queremos que todas as vagas das Federais, tanto as do primeiro quanto as do segundo semestre, sejam todas selecionadas no início do ano. Desta forma quem passa no primeiro semestre não troca de curso no segundo semestre e ficam menos vagas ociosas e muito mais vagas para serem distribuídas. Além disto, diminui muito a nota de corte;

Queremos que a segunda opção de curso tenha mais que uma chamada. Três ou quatro chamadas seriam ótimas. Do jeito que está a segunda opção ou vira quase decorativa ou é apenas aquele curso que o aluno não quer, mas o corte permite que passe;

Queremos que os sabatistas sejam respeitados. O Estado brasileiro é laico, e laico é o Estado que não apenas aceita, mas respeita todas as religiões sem distinção;

Queremos que o INEP corrija, utilizando sua estrutura, pelo menos 1 redação por mês, para cada estudante inscrito. Hoje só quem tem grana e está nas escolas mais caras consegue fazer redações e ter uma correção. Além disso, é muito ruim ser corrigido pelo próprio professor que ensina os alunos, pois ele tende a dar uma nota maior. Outro detalhe: mesmo nas escolas mais caras, geralmente um tema é debatido e depois a redação sobre aquele tema é feito. Isso não reproduz a situação real de prova no dia do Enem;

Queremos mais vagas em Medicina, mas queremos estas vagas nos melhores cursos de Medicina do Brasil, não todas em novos campus. Medicina em novos campus só se tiver hospital com estrutura para aprendizagem e experiência adequada, se a equipe de professores for boa e se o campus tiver estrutura para um curso desta complexidade. Adoramos a interiorização dos cursos e das Universidades pelo Brasil afora, mas ela precisa estar acompanhada da manutenção da qualidade (ou até da melhora) do que temos nas principais cidades;

Queremos uma “Calculadora de Nota do ENEM” em tempo real, pra saber o quanto está a nossa nota a cada prova que é corrigida. Sim, nós gostamos de saber, antes, mais ou menos qual será nossa nota. E preferimos que o próprio MEC faça esta Calculadora, e em tempo real;

Queremos um banco público de questões, e um banco bem GRANDE, com questões similares ao ENEM. Estamos cansados de estudar vários assuntos que mal caem no ENEM e de fazer exercícios desnecessários na escola e/ou no cursinho. Isto ajudaria muito a induzir as mudanças no Ensino Médio brasileiro. O MEC pode abrir um edital nacional e permitir que qualquer pessoa com ensino superior possa enviar questões, fornecendo capacitação pela internet e ajudando professores de todo o Brasil a ter a compreensão de como elaborar uma questão para submeter ao ENEM;

Queremos mais do que uma matriz de referência do que cai. Queremos uma lista clara do que NÃO CAI NO ENEM. E por que queremos isto? Fácil: de um lado a gente não gasta tempo estudando o que não cai e foca no que é mais importante e por outro lado a gente evite que vocês peguem os estudantes de surpresa quando resolverem colocar na prova uma questão de alguma matéria que não caiu em nenhuma das demais 16 provas que já tiveram no ENEM. E quem entende de Educação sabe que menos conteúdo traz mais resultado em Educação. Tem dúvidas? Então saibam que um livro de matemática do nono ano dos países melhor avaliados em qualidade de educação tem cerca de 16 capítulos ou assuntos, e os livros – ou as famosas apostilas – do Brasil têm de 40 a 56 capítulos ou assuntos;

Queremos que a Redação do ENEM sempre esteja em consonância com os principais debates da sociedade. Todos nós estamos preparados para debater a persistência do machismo na sociedade, mas cá entre nós, será que até mesmo vocês aí do MEC já tinham ouvido falar que o Brasil está discutindo (ninguém sabe onde) a regulamentação da propaganda para o público infantil?

Queremos que quando for divulgado o gabarito do ENEM também seja divulgado qual foi o erro cognitivo que fez com que a gente marcasse A, B, C ou D quando a resposta era E. Sim, queremos que divulguem porque cada distrator (cada alternativa errada) estava ali na prova. Isto é muito fácil, porque quem faz o item (a questão) tem que justificar cada um dos distratores (cada uma das alternativas erradas);

Queremos que quando divulgarem o gabarito, divulguem detalhadamente porque aquela alternativa é a correta. Sim, estamos cansados de vermos as correções de cursinhos e escolas que chegam a errar 13, 15, 18 questões. Também não gostamos das correções superficiais da internet. Queremos, de verdade, saber como deveria ter sido resolvida cada questão para ganharmos experiência e fazermos, se não formos aprovados, uma prova melhor da próxima vez.

Queremos, se continuar a ter nota em Redação, SEMPRE usar a melhor nota que obtivemos no ENEM em Redação. Não importa que tenha sido a Redação do ano passado, a deste ano ou a de 5 anos atrás. O critério de correção não é o mesmo? Pois então, deixe os estudantes com a melhor nota que já tivemos em qualquer edição do ENEM. Se a gente escrever bem uma Redação, não importa em que ano, a gente irá dar conta sossegado de escrever na Universidade;

Queremos, e isto queremos muito, que vocês saibam que ficar meia hora esperando a prova começar no início dá sono e lá pro fim deixa a gente mais cansado e não vemos necessidade para isto. Se pelo menos fosse meia hora a mais de prova.. E convenhamos, é um saco ficar lá meia hora olhando para a cara do fiscal ou deitado na mesa;

Ok, não dá pra exigir que todas as salas de prova sejam confortáveis e tenham ar condicionado, mas que tal na hora de informar sobre o lugar de prova, informar também qual a estrutura do lugar? Não é legal ir fazer a prova de short e encontrar a sala com ar condicionado (o que era bom fica ruim) e nem se preparar para o ar condicionado e chegar na prova e ter que passar um calorzão porque a escola não tem ou simplesmente decidiu não ligar o ar;

Queremos que os fiscais entendam que aquele aparelho para detectar metal não precisa tocar no corpo das pessoas e que é muito desagradável esta situação, sobretudo quando um fiscal homem decide que por algum motivo que ele tem o direito de tocar o aparelho numa menina;

Queremos que falem a verdade para quem não marcou a cor da prova. Ela será sim corrigida se a pessoa que deixar de marcar a cor da prova tiver transcrito a frase;

Queremos que os microdados do ENEM (onde descobrimos como os alunos foram em cada questão, qual percentual de alunos marcou cada alternativa, qual foi o comportamento dos alunos de cada escola) sejam democratizados e não dados que só possam ser lidos por profissionais da área. Um site onde possamos ter acesso fácil a todas estas informações ajudaria muito a entender porque os alunos erraram cada uma das questões além de democratizar o acesso à informação;

Queremos saber muito mais do que qual foi a nota das escolas no ENEM. Queremos saber quantas questões cada uma das escolas acertou (média por alunos), quais foram os acertos lógicos e quais os prováveis chutes e qual a porcentagem de acertos e erros de todos os alunos e de cada escola em cada edição do ENEM;

Queremos acabar com a falsidade do ranking onde as escolas selecionam os melhores alunos e inscrevem no ENEM com um CNPJ diferente para aparecer numa posição melhor no ranking do ENEM. Como aceitar que uma mesma escola, com mesmos professores esteja em 1º lugar do país e ao mesmo tempo na 623ª posição?

Nós que fazemos a prova nas nossas cidades somos a maioria, mas não achamos justo que vários alunos, inclusive alguns sem condições financeiras, tenham que viajar de uma cidade pra outra para fazer a prova. Eles ficam prejudicados, e muito. Pior ainda quando arrumam algum ônibus emprestado e este ônibus quebra no caminho. Aí é o fim de um ano inteiro para o aluno. Trabalhem para que o ENEM seja aplicado em mais cidades;

Queremos que avisem a todos os alunos que quando eles entregam o número de inscrição no ENEM para alguém ele está sujeito a ter vários de seus dados pessoais acessados sem que ele saiba;

Qualquer funcionário do INEP/MEC sabe que a falta de glicose no cérebro, a glicose do consumo imediato do alimento, faz diminuir o rendimento do aluno na prova. É importante que o MEC invista um pouco mais e providencie vale alimentação, válido só para os dois dias de prova, para quem não pode pagar por isto;

Queremos que vocês façam um pequeno sacrifício de produzir propostas de Redação no mesmo modelo do ENEM, se possível toda semana, e coloquem na Internet pros estudantes se habituarem a fazer textos dissertativos argumentativos. Vocês não querem que só quem paga os cursinhos mais caros do Brasil tenham isto, né?

Estão vendo, não queremos nada demais. É muito fácil deixar o ENEM melhor para todos, custa muito darmos estes passos?

Queremos acima de tudo, ser ouvidos. Custa? Então caro amigo Chico (do INEP), Ministro Aloizio Mercadante (da Educação), leiam este texto e ajudem a aprimorar essa prova tão importante para o país. Se não podemos ter ensino público e financiamento estudantil para todos, que a seleção seja pelo menos mais justa.

Ah, já ia esquecendo: Chico, Mercadante, secretários do MEC, formuladores de questões, corretores da redação, funcionários do MEC: façam a prova no mesmo dia e nas mesmas condições que os estudantes. Isto irá ajudar muito a vocês entenderem como é o ENEM fora dos gabinetes e das estatísticas.

Os estudantes brasileiros agradecem. Temos certeza que, da mesma forma que nós, vocês estão preocupados em fazer um ENEM cada vez melhor. Pedimos que levem nossa opinião em consideração.

Acompanhe a nossa fanpage Entenda o ENEM – com Mateus Prado.

Palestras e capacitações de alunos e professores? palestras@guiaenem.org.br