ENEM, uma prova de resistência

Quer garantir o acerto de algumas questões a mais no Exame Nacional do Ensino Médio? Então, além do estudo dos conteúdos mínimos e do desenvolvimento das competências e habilidades propostas pela prova, faça exercícios físicos nos dias anteriores ao exame.

Mateus Prado

30 Outubro 2014 | 18h36

Quem já fez o ENEM sabe muito bem ele, além de uma prova que avalia capacidades e conhecimento de alguns conteúdos, é um teste de resistência, quase uma maratona. Em geral, a cada dia, a maioria dos alunos se sente cansada ao chegar entre as questões 65 e 70 (são 90 por dia). Exauridos, não conseguem manter o desempenho no resto da prova, mesmo quando sabem responder as últimas questões.

Se fosse possível analisar dois alunos com exatamente o mesmo acúmulo de conteúdos e o mesmo desenvolvimento das competências e habilidades cobradas pelo Enem e um deles fizesse um pouco mais que uma hora de caminhada por dia, enquanto o outro se mantivesse sedentário, o número de questões acertadas pelos dois seria diferente. Certamente, o candidato que se prepara fisicamente consegue chegar a um resultado mais condizente com a preparação que fez em toda a vida, dentro da escola e fora dela.

Mesmo que mais fáceis que as dos vestibulares convencionais, as 90 questões do primeiro dia do Enem exigem grande resistência e capacidade de concentração. Elas apresentam textos longos e cobram a utilização de capacidades cognitivas para interpretação, interpolação e extrapolação de suas propostas. Já no segundo dia, quando o candidato chega mais cansado, sem saber o que significa o resultado que teve no dia anterior, é exposto a uma situação pior.

No domingo, as questões de linguagens são as que possuem os textos mais extensos e as de matemática exigem que o candidato faça vários cálculos, mesmo sendo a maioria deles muito simples. São simples, mas, no seu conjunto, dão muito trabalho, levam muito tempo e exigem bastante concentração do aluno. Demora muito mais fazer a prova do segundo dia que a do primeiro. Além disso, é neste dia que está a redação, e o estudante só tem uma hora a mais de prova, tempo insuficiente para fazer tudo bem feito.


Para os candidatos sabatistas, como é o caso dos adventistas, a maratona fica ainda mais cansativa. Eles precisam chegar ao local de prova, no sábado, no mesmo horário dos demais, mas esperam até o começo da noite para iniciarem a prova e chegam em casa já na madrugada de domingo, dia em que terão de fazer uma nova prova.

Além de a prática de exercícios físicos ajudar o aluno no preparo para uma prova que também é de resistência, a caminhada, por exemplo, pode ajudar a manter a atenção, o que só melhora o desempenho.

Pesquisa

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Illinois, entre eles Charles Hillman, desenvolveu um trabalho com alunos de nove anos de idade. As crianças eram submetidas, em alguns dias, a caminhadas de 20 minutos em esteiras motorizadas. Em outros, apenas descansavam. Testes aplicados nos alunos mostram que, quando faziam caminhada, ficavam mais atentos, compreendiam melhor os textos e imagens, apresentavam melhor desempenho nas atividades escolares e melhor resultado nos testes. O estudo foi publicado em 2009, na edição de número 159 da Neuroscience.