Enem, a lógica da diferença

Mateus Prado

12 Maio 2014 | 17h15

Conhecer a proposta do exame e ter um objetivo são os primeiros passos para elaborar uma estratégia de estudo

A relevância do Enem para o acesso ao ensino superior no Brasil é inegável, e o que toda pessoa que pretende fazer este exame deve saber é que o Enem é diferente dos vestibulares convencionais. A principal diferença é que nos vestibulares tradicionais ‘o céu é o limite’ na hora de um examinador elaborar uma questão. Isso acontece porque, em geral, além de os conteúdos programáticos serem muito extensos, os professores que elaboram as questões podem cobrar qualquer coisa que está nos livros didáticos e/ou nas apostilas de ensino médio e cursinhos, mas também podem cobrar coisas que só estão em materiais bem específicos, como revistas de divulgação científica e livros para o ensino superior, e que você e a maioria dos estudantes nunca viram na vida. Por outro lado, o Enem é regido por uma matriz de competências e habilidades que contém menos conteúdo (bem menos), o que torna sua prova muito mais simples de ser resolvida do que as da maioria dos vestibulares brasileiros.

Funciona assim: no Enem, existem os “descritores”, uma relação de competências e habilidades que precisa ser respeitada pelas pessoas que elaboram as questões. Esses descritores deixam bem claro o que tem que ter na prova, o que pode ser cobrado em cada edição do Exame. Com isso, um formulador de questões no ENEM não pode colocar qualquer tema que lhe der na cabeça. Ele tem que fazer questões que obedeçam estas descrições, e por isso a prova do ENEM é muito parecida de um ano para o outro. É por isso que, apesar de também apresentar alguns dos conteúdos de sala de aula, o Enem apresenta uma quantidade muito menor de conteúdo do que é exigido pelos editais dos vestibulares.

Com uma matriz de 30 competências e 120 habilidades, a prova do Enem segue uma tendência mundial, já que, em outros países do mundo onde há vestibular, o conteúdo cobrado é menos extenso. Isto foi pensado para induzir mudanças no nosso ensino médio, que é muito conteudista, uma lógica que precisa ser invertida. Essas mudanças ainda não aconteceram, mas o que o ENEM pretende provocar, e eu acredito que ainda vá provocar, é a introdução, no ensino médio, da ‘Educação’ no lugar de ‘Ensino’, desenvolvendo proficiência para a vida cidadã.

 

Há estratégias de estudo para o Enem? 
Sim. Com uma estratégia bem feita, o aluno tem mais chance de obter uma nota maior no Enem. Para isso é preciso estar claro que estudar conteúdo demais e estudar o que não cai ou o que tem muita dificuldade de aprender não é a melhor opção do ponto de vista do custo/benefício.
Os alunos tendem a estudar mais o que sabem muito bem ou o que não sabem nada. São as duas piores estratégias de estudo. Só dá para saber qual é a melhor forma de estudar para o ENEM depois que se tem claro qual objetivo se pretende alcançar, para saber a nota que precisa tirar para cumprir este objetivo (tendo como base as notas dos aprovados dos anos anteriores).  Ok, você pode argumentar que ainda não sabe que curso quer fazer, mas tem que estabelecer, minimamente, quantos pontos pretende fazer no ENEM.

 

Quais são seus objetivos?

Estudar sem estabelecer objetivos é como construir uma casa sem ter uma planta, sem ter um projeto. E, assim como cada casa é diferente da outra, o objetivo, e as estratégias de aprendizagem, sempre são diferentes de um aluno para o outro.

Existem alguns cursos mais difíceis de passar em universidades públicas, como Medicina e Direito, em que o aluno realmente precisa saber quase todo o conteúdo cobrado pelo exame para garantir sua vaga. Mas também há outros cursos, que podem dar ao aluno uma boa carreira, como Biologia, Enfermagem, Psicologia, Pedagogia, entre outros, que exigem uma nota bem menor nas provas. Para esses cursos, é necessário que os alunos saibam o bastante para passar, mas não precisa dele saber quase tudo. Até porque nunca será preciso nem possível saber tudo, mesmo que você passe todas as madrugadas da sua vida estudando. Isso vale pra você e vale também para o seu concorrente.

 

Otimize seu tempo e seus estudos

Então, nossa primeira lição, que inaugura meu blog no Estadão, é que nem tudo que está nos livros didáticos e nas apostilas de cursinhos aparece na prova do Enem. E, se não estará na prova, você não precisa estudar.  É preciso descobrir o que é cobrado e o que não é cobrado (e também o que é muito e o que é pouco cobrado), e isso é bastante simples de se fazer.
Na próxima coluna vamos ver como descobrir o que é cobrado no ENEM e como elaborar uma estratégia individual para estudar para as provas. Meu compromisso com os leitores desta coluna será de ensiná-los como cada hora estudada pode gerar uma nota maior do que uma hora de estudo de seu concorrente. Vou ensiná-los a fazer uma “planta” que oriente seus estudos até uma semana antes do ENEM. Encontro vocês na próxima coluna.