As cidades e a dignidade do ser humano:  Há conciliação possível?

As cidades e a dignidade do ser humano: Há conciliação possível?

Escola Lourenço Castanho

24 Fevereiro 2016 | 09h00

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Caos, movimento, pressa, barulho, desordem. É isso que imaginamos quando pensamos em cidade. Mas será que pode ser diferente?
Com essa dúvida na cabeça, nossa série decidiu ir atrás de explicações sobre o que é uma cidade, como ela deveria ser e como ela se forma.
“As cidades e a dignidade do ser humano: há conciliação possível?”. Essa era nossa pergunta-problema, que guiou todo nosso projeto de série ao longo do ano. A partir desta questão, direcionamos nossos trabalhos interdisciplinares, buscando entender melhor a forma como nossa sociedade se organiza, como essa organização muitas vezes é falha e não atinge seu estado ideal e o que podemos fazer para melhorá-la.
Discutir sociedade e organização é essencial para que possamos mudar o cenário que vemos todos os dias no noticiário. Vivemos uma época em que o povo brasileiro se divide cada vez mais e cada vez menos coopera em união para solucionar problemas sociais e econômicos que atualmente têm se agravado em nosso país. Crise, em suas várias definições. Financeira, hídrica, política. Dificuldades que o Brasil tem encarado nos últimos anos e que comprometem seu futuro.
Nada mais justo do que trazer esses conflitos para dentro da sala de aula e usá-los como propostas para projetos.
Neste ano, viajamos a Recife e pudemos conhecer ao vivo a realidade de outra grande cidade brasileira que, apesar de ser menor do que São Paulo, apresenta índices de criminalidade e congestionamento equivalentes ou até maiores do que a nossa cidade. A viagem de campo ilustrou nossas hipóteses sobre as dificuldades sofridas por moradores de grandes cidades e ampliou nosso ponto de vista para uma realidade que não era a nossa.
Muitos dos trabalhos feitos ao longo do ano se relacionam com a temática das cidades e seus problemas. Unindo matemática e física, fomos atrás de medidas para a construção de uma cisterna, um pequeno reservatório que capta água das chuvas e previne o desperdício. Nas aulas de biologia, discutimos uma situação (nem tanto) hipotética sobre fatores que causavam a seca e a perda de água em represas nacionais. Em geografia, analisamos o projeto de reestruturação do Cais Estelita, de Recife, e o quanto o mesmo poderia beneficiar ou prejudicar a cidade. Nas aulas de sociologia e redação, tivemos inúmeros debates sobre leis atuais e sua relação com nossa cidade, como a redução da maioridade penal e as cotas raciais. Dossiês políticos, o plano diretor da cidade de São Paulo, obras dos séculos passados sobre os primeiros cortiços do Brasil: tudo o que estudamos derivou de nossa questão central e exigiu uma análise crítica sobre nosso papel enquanto cidadãos e participantes de uma comunidade.
Uma cidade depende de inúmeras funções para dar certo. Qualquer problema em qualquer de seus eixos, por mais que mínimo, gera conflitos colaterais e logo temos um desequilíbrio. Como acontece com qualquer máquina, até mesmo as mais rústicas e que poderiam ser produzidas numa sala de aula… Como as Máquinas de Rube Goldberg que construímos nos últimos meses e que estão expostas aqui hoje. São máquinas sequenciais, que atuam em etapas para chegar a um destino final. Qualquer defeito em qualquer das etapas impossibilita o destino final.
Já sabemos construir uma máquina. Quem sabe agora… uma cidade?

Por Felipe Ioschpe.