Jovens compartilhando saberes: a experiência no ICLOC jovem
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Jovens compartilhando saberes: a experiência no ICLOC jovem

Instituto Singularidades

05 Janeiro 2018 | 17h03

A elaboração de um trabalho acadêmico, que investigue algum assunto mais profundamente, tem se tornado cada vez mais frequente nos diversos segmentos de formação superior: nos cursos de graduação, de especialização, além da sua tradição nas pós-graduações stricto sensu.

Se, para alguns, esse tipo de trabalho aparece como um fardo obrigatório, para outros é uma oportunidade de pesquisar algo de próprio interesse e ir além das respostas evidentes facilmente encontradas. No meio destes, temos encontrados trabalhos de investigação feitos por alunos dos anos finais da educação básica que se assemelham aos TCCs universitários. Diferentemente do Ensino Superior, a maioria desses trabalhos na educação básica são optativos e realmente frutos de projetos pessoais.

“Mas um trabalho tão difícil! Será que os adolescentes dão conta?”, as pessoas poderiam pensar. Sim, não só dão conta como fazem bonito.

Mostra de alunos da Educação Básica


O ICLOC Jovem, encontro destinado a alunos do Ensino Médio e dos anos finais do Fundamental, é uma grande mostra de como esses meninos e meninas nos deixam de olhos brilhando com suas pesquisas, ainda que estas demonstrem menos precisão do que alguns acadêmicos mais rigorosos suporiam necessário.

No 2º. semestre de 2017, a terceira edição do ICLOC Jovem ocorreu com a apresentação de quase 500 trabalhos. Houve apresentações de trabalhos individuais e de trabalhos em grupo. Alguns estudantes eram acompanhados pela família, colegas, professores e outros vinham sozinhos ou apenas com um adulto responsável. Os temas eram os mais diversos. Algo, porém, parecia comum a todos: os jovens conheciam verdadeiramente seus trabalhos e vibravam ao falar a respeito deles.

A grande quantidade de apresentações exigiu ampliação do espaço, o que culminou com o evento ter sido sediado não somente no Instituto Singularidades, mas também na Escola Estadual Fernão Dias Paes, cuja distância não supera 300 metros. Este vai e vem de pessoas de um local para outro propiciou também que o evento não se limitasse ao espaço interno das instituições.

Qual seria o motivo de se pedir para estudantes da educação básica fazerem projetos de investigação científica?  A educação tem como um dos principais objetivos criar condições que contribuam para o aluno “aprender a pensar”.

Ao fazer uma pesquisa, o aluno vai além do conteúdo proposto no currículo. Partindo de um tema de seu interesse, coloca em prática algumas habilidades desenvolvidas na escola e, ao mesmo tempo, desenvolve outras que propiciam trilhar caminhos diferentes dos seus colegas.

Porém, como todo conhecimento, ele não deve ser engavetado. Diferentemente de outros bens, quanto mais difundido, mais o conhecimento ganha força, mais ocorre de outros saberes se agregarem a ele, mais ele permite a ampliação de novas relações por meio das pessoas que o compartilham.

Tanto apresentar quanto assistir, um evento como o Icloc Jovem, significa compartilhar saberes construídos — algumas vezes ainda desordenadamente — por alunos que estão gradativamente se deparando com o conhecimento científico mais formal.

Não podemos deixar de falar sobre o papel do professor orientador. Não é papel fácil, ainda mais na educação básica que, em geral, não prevê tempo para esses encontros individuais com os alunos, momentos tão importantes. Durante uma investigação, seja ela mais ou menos científica, inúmeras ideias povoam a mente de quem está buscando respostas. Há inúmeras habilidades que precisariam ser desenvolvidas e ações a serem executadas que não são fáceis. Dentre elas, podemos citar selecionar as ideias mais significativas, descartar outras; aprender a focar no próprio objetivo, não se perdendo com inúmeros outros focos que aparecem; e organizar as informações de forma clara e que faça sentido. Um dos papéis do orientador é não deixar esse aluno se perder no caminho. E lá estavam eles, professores acompanhando seus alunos, dando apoio e testemunhando a beleza do que eles, juntos, tinham construído.

O compartilhamento, algo que ocorre tão naturalmente entre os jovens, mostra que frases como “os jovens não gostam de aprender” ou “ os jovens nem querem saber de estudar” não se confirmam. E, talvez, seja a maneira que o conhecimento é apresentado a eles que precise ser repensado.

ICLOC jovem: apresentação. Fonte: arquivo institucional

Relato de experiência

Relato, a seguir, o que acompanhei de perto em uma das salas e que demonstram o que ocorreu na maioria delas. Havia três trabalhos a serem apresentados. Um dos participantes, de uma escola particular de São Paulo, apresentou seu trabalho sobre ficção científica, relacionando um filme a teorias diversas. Um grupo de estudantes de uma escola municipal de Santos apresentou um projeto da criação de um jornal periódico na escola em que estudam.

Após apresentarem, houve a conversa sobre os trabalhos e as perguntas do público. Em determinado momento uma das meninas da escola de Santos começou a perguntar ao colega de São Paulo como foi a reação e aceitação do tema do seu trabalho por parte do professor, uma vez que falava de ficção científica. Ele respondeu e continuou também fazendo uma pergunta ao grupo de Santos, explicando que em sua escola estavam tentando fazer um jornal interno, mas não estava dando certo. Quis saber mais detalhes.

Em minha opinião o real compartilhamento se deu depois porque, acabada a sessão, a conversa continuava. Eram essas conversas, animadas, que eram vistas nos corredores, nas entradas dos prédios e pelo caminho entre Singularidades e Fernão Dias Paes.

E os contatos entre os professores foram frequentes, com a mesma animação dos alunos. Mais compartilhamentos, mais possibilidades de trocas!

Que outros projetos nascerão dessas conversas? Só esperando o ICLOC Jovem 2018 para saber!

 

Sonia Maria Pereira Vidigal é professora do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades. Contato: smpvidi@gmail.com