BULLYING NA ESCOLA INCLUSIVA

BULLYING NA ESCOLA INCLUSIVA

Colégio Graphein

16 Setembro 2015 | 15h12

O processo de aprendizagem e a consequente preparação de uma criança para uma atuação social positiva e produtiva são responsabilidade de toda a sociedade. Porém, os profissionais da educação têm um papel de destaque nessa questão.

No presente artigo abordaremos, de modo especial, a realidade do bullying no dia a dia de uma escola que trabalha com inclusão. Vamos relatar nossa experiência com a socialização de crianças, adolescentes e jovens em uma escola inclusiva e como podemos contribuir neste aspecto da vida de nossos estudantes.

No espaço escolar, além da estimulação para o desenvolvimento cognitivo, a relação com as outras crianças e com os educadores também se caracteriza como um exercício para a convivência em grupo e a educação de modo geral.

Porém, quando os pais e educadores não medeiam de maneira adequada o processo de formação social do indivíduo, as crianças e adolescentes, muitas vezes, acabam por aprender que conflitos e desacertos são resolvidos com irritação, de modo descontrolado e, muitas vezes, com o uso da força bruta.

Hoje, esse modelo de conduta, que tem se observado também dentro das escolas, é chamado de bullying. O termo pode ser considerado novo, mas as atitudes e os motivos nele ocultos são bem antigos.

Na “cena” do bullying, podemos destacar três personagens principais: o agressor, a vítima e a plateia, muitas vezes desconsiderada, mas que tem um papel fundamental no estabelecimento desta situação. Vamos identificar estes três personagens e levantar algumas possibilidades de intervenção por parte dos educadores.

O agressor

Aquele que agride de forma sistemática, criando situações de humilhação, constrangimento e/ou violência. Podemos facilmente identificar que esse personagem não desenvolveu as habilidades necessárias para suas relações interpessoais. Além da sanção, que muitas vezes é cabível e necessária, a escola precisa trabalhar nas causas desta falta de habilitação.

Muitos fatores podem influenciar este indivíduo: a imitação de um padrão de comportamento hostil, a falta de relacionamentos pessoais positivos, a falta de atenção e de estímulos necessários para um desenvolvimento sadio, o excesso de agrados, a ausência de regras, a pobre e ineficiente atenção que recebe, o desenvolvimento da sensação de não ser amado. E a lista de possibilidades parece não ter fim.

É necessária uma atuação sistemática de toda a comunidade escolar para que este indivíduo possa desenvolver outra maneira de “estar no mundo” e se relacionar com o outro, baseando suas ações na noção de empatia e solidariedade com o semelhante.

Em escolas inclusivas, muitas vezes detectamos que o agressor é justamente aquele que já foi vítima em outras situações e que tem uma péssima autoimagem como aprendiz.

A vítima

Aquele que é sistematicamente agredido, insultado, humilhado, e/ou coagido. Os alvos de bullying geralmente sentem-se incapazes de esboçar reação, até mesmo buscar ajuda, e é comum tal atitude ter suas raízes em um forte sentimento de insegurança.

Estes indivíduos não dispõem, ou melhor dizendo, acreditam não dispor de recursos para fazer cessar os atos danosos contra si. A situação, muitas vezes, pode ser agravada por intervenções críticas ou pela indiferença dos adultos em relação ao seu sofrimento.

A escola, após detectar a situação de bullying, de modo geral, age no sentido de “defender” a vítima e assegurar seu direito de ser respeitada. Isto é correto e necessário, mas devemos ir além. A escola precisa capacitar a vítima. Realizar um trabalho conjunto com a família para que este aluno se descubra capaz de estabelecer uma relação positiva com seus pares e habilitá-lo a reagir e garantir, ele próprio, o respeito em seus relacionamentos interpessoais.

É comum recebermos alunos que foram vítimas de bullying em diversas escolas e, ao começarem seu trabalho conosco, novamente detectarmos a “tempestade se formando”. Nossa atuação, além de preventiva, tem o objetivo de dar autonomia para o próprio estudante conduzir seus relacionamentos, pois, se isto não acontecer, existe o grande risco de que um jovem de bom potencial se perpetue no papel da vítima.

A plateia

Estamos nos referindo aos outros membros da comunidade escolar que veem uma situação que envolve a humilhação e têm uma atitude de anuência. Seja rindo e dando seu aval explícito ao que está sendo feito, seja ignorando porque não acha que foi nada demais, (Ah! Foi só brincadeira!), ou ainda, porque viu, achou errado, mas não consegue se posicionar.

Este é um grupo que precisa ser trabalhado com o mesmo empenho dos dois outros personagens. É necessário que as razões de cada um sejam percebidas e os educadores medeiem a construção de um repertório mais adequado de atuação social.

Ações preventivas

Em grande parte das vezes, um aluno com necessidades de escolarização diferenciadas, os assim chamados alunos de inclusão, vivenciaram situações de grande desconforto e até de humilhação nos ambientes escolares por onde passaram.

Quando os recebemos, muitas vezes, é necessário, mesmo com os mais velhos, trabalhar na construção de um repertório social adequado para interagir socialmente de forma positiva.

Observamos que existe um grande risco de a “ex-vítima” de bullying se tornar o agressor, quando encontra alguém um pouco mais frágil. Portanto é fundamental que se construam novas possibilidades socializantes com estes estudantes. Parecem ter assimilado a noção de que só existem duas formas de estar em uma relação: ou como vítima, ou como agressor.

Cabe à escola, espaço de aprendizagem e de formação, interromper esse ciclo vicioso, desenvolvendo atividades baseadas na cooperação, participação, iniciativa e criatividade de todos os seus alunos. Todas as situações do cotidiano relacionadas ao comportamento social devem ser trabalhadas cuidadosamente.

Uma pequena discussão entre alunos na hora do recreio é um rico material para o educador trabalhar habilidades e competências de relacionamento. Levá-los a refletir acerca de seus comportamentos, de suas falas e dos efeitos de suas atitudes no outro, são etapas importantes da formação dos educandos.

O professor deve garantir a ele que realmente tem interesse em ajudá-lo e que vai buscar alguma maneira de fazer isso para que ele tenha confiança no professor e não desista de mudar a situação.

No Colégio Graphein, nossa rotina é avaliada dia a dia, além de trabalharmos com o replanejamento diário, ou seja, entre a demanda psicopedagógica sugerimos as estratégias anti-bullying, que vão além da supervisão das aulas, como a diversificação de ofertas de atividades, a introdução de material lúdico, a resolução da superlotação, a reorganização do espaço, o estabelecimento de regras e o envolvimento dos educadores em geral.

Antes de qualquer atitude deve-se lembrar a importância da  participação contínua de todos os alunos em encontros para discussão, possibilitando a percepção espontânea dos alunos sobre a existência de bullying e seus sentimentos sobre isso.

Aqui no Graphein, a equipe docente é informada e incentivada a discutir suas implicações, definindo que estratégias devem ser utilizadas durante o processo acrescentando aos poucos no dia a dia a conscientização e prevenção.

Entre tantos conteúdos procedimentais, citamos algumas já realizadas no Colégio Graphein:

– Estimular os alunos a fazerem pesquisas sobre o tema na escola, para saber o que alunos, professores e funcionários pensam sobre o bullying e como acham que devem lidar com esse assunto.

– Pode-se dar a oportunidade de que os próprios alunos criem regras de disciplina para suas próprias classes, não se esquecendo de comparar com as regras gerais da escola, para que não haja incoerências.

– Da mesma forma permitir aos alunos que eles busquem soluções capazes de modificar o comportamento e o ambiente.

Para tanto é necessário que a equipe de educadores tenha duas grandes prioridades: o estabelecimento de um vínculo afetivo positivo e o desenvolvimento de uma escuta atenta às demandas de cada aluno.

Nossa principal missão com este trabalho é a formação de seres humanos mais íntegros e felizes, capazes de estabelecer relacionamentos ricos e duradouros.

Nívea Maria de Carvalho Fabrício – Diretora Psicopedagógica

Camila D’Amico- Coordenadora Pedagógica

Colaboradores do Colégio Graphien

 

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