Tem ruído – tecnológico, na lição de casa

Tem ruído – tecnológico, na lição de casa

Renato Rocha Mendes

17 Março 2017 | 19h42

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Se grande parte dos pais reconhece as vantagens de utilizar o WhatsApp para resolver questões que emergem do contexto escolar dos filhos, somente uma fração tem conhecimento das implicações negativas da sua utilização nesse contexto. A comunicação entre a escola, os alunos e os pais, é tratada com atenção pela equipe pedagógica da Escola Projeto Vida, na medida em que as informações que circulam interferem no desempenho dos alunos.

O processo de aquisição de autonomia do aluno pode ser comprometido quando os pais tomam para si as responsabilidades da criança ou do adolescente. Tome um caso recorrente observado por educadores: nos grupos de pais do WhatsApp não é raro existir pedidos sobre os detalhes da lição de casa que o filho deixou de copiar. Como resposta toda a informação necessária para a lição é transmitida, com isso uma importante etapa da tarefa se perde. A atitude dos pais é motivada pelo sentido de ajuda, mas não é saudável para o processo de amadurecimento do aluno.

Fabiana Bargieri, Coordenadora Pedagógica do Fundamental afirma que a utilização da agenda – que pode ser digital, deve ser aprendida e que o processo de anotar para rememorar é um dos significados e dos sentidos da escrita. “A aprendizagem sempre se dá pela necessidade. A nossa função é provocar necessidade o tempo todo nas crianças, para que elas possam avançar e aprender. Se você bloqueia essa necessidade, ele não tem o que buscar. Como as coisas chegam prontas para as crianças, através do uso da tecnologia pelas famílias, muitas vezes elas deixam de fazer pelas vias que são possíveis para elas; que pode ser, pegar o telefone e ligar para o amigo”, esclarece Fabiana.


Participar de maneira construtiva na vida escolar dos filhos é fundamental, como destaca Silvia Elayne, Diretora da Unidade Fundamental da Projeto Vida: “O pai valoriza o que ele faz na escola, vindo até a escola, mostrando interesse, até mesmo vindo para falar que não gostou de algo, isso demonstra que o pai está implicado na educação do filho. Se o grupo de WhatsApp toma esse lugar, isso é muito ruim.” Silvia lembra que a participação dos pais na escola favorece a construção do estudo como um valor.

Quando se opta por “ajudar” os filhos na lição de casa, via WhatsApp, os pais acabam causando ruído na estratégia pedagógica, como exemplifica a Fabiana: “Quando os pais fotografam a lição da atividade e distribuem essa foto no grupo, as famílias pegam um recorte do que é a lição. O que o professor manda de lição de casa às vezes é parte de uma atividade planejada, que é enorme, que vai se desdobrar.”

Fabiana diz que é importante que os pais participem e estimulem as crianças a fazerem a lição de casa, tendo em conta que o retorno da lição de casa para a escola é fundamental. Se surgir alguma dificuldade com a lição, Fabiana orienta: “pergunte para a criança, ‘Posso te ajudar?’, se mesmo assim não conseguir, o aluno deve trazer a lição do jeito que fez, ou com as dúvidas que tem, porque o retorno da lição de casa é a nossa prioridade. Na hora da correção eles vão tirando as dúvidas.”

O erro não é algo indesejado, ele é parte indissociável do aprendizado. O desejado pelos educadores da Projeto Vida é que o aluno se forme um indivíduo autônomo e distante da sensação de que alguém estará sempre presente para ajudá-lo.

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