Celular na escola: pode?

Celular na escola: pode?

Fernanda Tambelini

14 Agosto 2017 | 10h11

A popularização dos celulares gerou mudanças na sociedade, incluindo a maior democratização do acesso à tecnologia e à internet. O uso dos telefones móveis já é realidade para uma grande parcela dos adolescentes nas maiores cidades brasileiras e trouxe um novo desafio para as escolas – como lidar com a presença dos celulares na sala de aula?

Na Escola Projeto Vida, a tecnologia tem sido incorporada à proposta pedagógica, como mais um aparato no processo de ensino e aprendizagem e de produção e apropriação do conhecimento pelas crianças e adolescentes. “Nosso objetivo é que os alunos enxerguem a tecnologia para além do entretenimento. Que aprendam a usá-la também como instrumento de aprendizagem”, afirma Maristela Alcântara, responsável pela área de Tecnologia da escola.

Nas séries do Ensino Fundamental 2, o celular é entendido como recurso de trabalho. Em 2017, os cadernos de atividades foram repensados para o ambiente virtual e são mantidos na plataforma Classroom, do Google Apps for Education. Assim, as tarefas propostas podem ser acessadas de qualquer equipamento conectado à internet, incluindo os celulares. Para viabilizar a migração do material impresso para o digital e disponibilizar o acesso para todos os alunos e professores, foi realizado um investimento grande na infraestrutura de rede. “Também é importante lembrar que não se trata de simplesmente digitalizar as apostilas, mas sim de repensar as atividades para tirar proveito das inúmeras possibilidades oferecidas pela tecnologia”, completa Maristela.

Apesar de os celulares serem bem-vindos, o acesso durante as aulas é mediado pelos professores, que organizam os momentos e atividades em que o aparato é ou não necessário. No início do ano, a escola fez uma ambientação com as turmas, em que conversou com os jovens sobre o uso responsável.

Foram estabelecidas algumas restrições de conteúdo (como pornografia, violência e alguns jogos), monitoradas por um servidor, mas o acesso às redes sociais e sites de vídeos é liberado. A relação aberta tem gerado bons resultados, sem problemas graves reportados. A equipe de tecnologia da Projeto Vida está sempre de olho no uso da rede e, se percebe um pico de uso em determinada sala ou por um único aparelho, entra em contato com o professor para esclarecer se houve uso indevido.

Já no Ensino Fundamental 1, celulares não são permitidos na sala de aula. O aparelhos devem permanecer desligados e guardados nas mochilas, podendo ser usados somente na saída. Uma vez por semana, no dia do brinquedo, o uso também é liberado no intervalo. “A tecnologia também é instrumento de aprendizagem do Fundamental 1, mas as crianças utilizam os dispositivos móveis e notebooks da escola”, explica Maristela.