Datas Comemorativas: uma prática ressignificada
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Datas Comemorativas: uma prática ressignificada

Escola Eduque

07 Abril 2017 | 11h50

Integração-Família-Escola_2017Em diversas escolas, ainda nos deparamos com práticas associadas às “datas comemorativas”. É comum, por exemplo, ver desenhos em murais, crianças pintadas de índio ou fantasiadas de coelho da Páscoa.

É fundamental compreendermos que muitas dessas datas estão associadas a temas religiosos, marcos políticos da história nacional que ganharam um significado mítico ou são homenagens ao papel social de indivíduos.

Contemplar essas comemorações no calendário escolar do modo tradicional desconsidera, por exemplo, a diversidade religiosa que pode existir entre os alunos e as diferentes composições dos grupos familiares.
Pensando nos marcos políticos da nossa história ou em enfatizar a vida de um herói, a comemoração em si não proporciona a discussão dos diferentes pontos de vista sobre o fato narrado ou a formação do aluno como um sujeito histórico e ativo na sociedade.

O papel da escola é compreender as mudanças da sociedade, estar conectada aos acontecimentos do mundo e proporcionar sempre a reflexão de sua prática. Refletir sobre as tradições não significa abandoná-las, mas propor um novo olhar, valorizando os aspectos históricos, culturais ou afetivos de maneira atual.

Num exercício de pensar em diferentes perspectivas, podemos proporcionar uma abordagem contemporânea a esses momentos na escola, atuando no desenvolvimento de indivíduos críticos. Uma escola inquieta e atual deve se perguntar: Como posso ampliar os conhecimentos dos alunos e seus familiares com as datas que escolhemos trabalhar?

Num exercício de responder a essa questão, uma das formas de planejar o trabalho é ter como foco quais oportunidades de conhecimento estarão presentes na abordagem escolhida.

Neste contexto, o Carnaval e a Festa Junina, por exemplo, podem entrar na escola como valorização e conhecimento sobre essas festas, por serem parte da cultura brasileira, com uma rica diversidade de ritmos, danças e músicas.

A páscoa, numa escola laica, deve respeitar as escolhas religiosas dos alunos e seus familiares e ter uma vertente de desenvolvimento de valores, enfatizando os sentimentos de estar junto com o outro e pertencer ao grupo, compartilhando um alimento com diferentes turmas, por exemplo, e não incentivando o consumismo.

A parceria entre a escola e a família é fundamental para a aprendizagem, por isso, reunir pais e filhos na escola é uma oportunidade preciosa de aproximação, interação e fortalecimento de vínculos. No processo de acolhimento das diferentes estruturas familiares, fazer parte da aprendizagem dos filhos é muito valioso e isso é possível propondo momentos e atividades em que os alunos sejam os protagonistas desse encontro, numa brincadeira que vão ensinar aos pais, contando histórias para eles, entre outros.

Homenagear os pais por ocasião de suas datas específicas ganha um sentido especial quando a homenagem está apoiada na produção própria dos filhos. Algo feito com carinho para alguém muito querido. Assim, valem produções que podem ser para os avós, os professores e todas as outras pessoas queridas.

As datas relacionadas aos contextos históricos, na Educação Infantil, podem ser informadas pelo nome do feriado, entretanto, se vale a pena discutir sobre seu contexto e significado dependerá da idade das crianças. Para os pequenos, são contextos complexos e pouco próximos à sua compreensão. No Ensino Fundamental, devem estar relacionadas aos contextos históricos e sociais, nos componentes curriculares, trazendo os diferentes pontos de vista.

Ainda refletindo sobre comemorações, consideramos extremamente valioso que possamos celebrar também os marcos das conquistas dos alunos, seja a aprendizagem da escrita e da leitura ou um ritual de passagem, quando os alunos se despedem da escola ou de uma etapa do estudo. Essas celebrações valorizam os esforços que eles tiveram para alcançar os objetivos e traduzem o sentimento de se estar preparado para a próxima etapa, para seguir de maneira segura e confiante.

Desvinculando as datas comemorativas dos momentos de festejar, a escola precisa dialogar com a sociedade, no sentido de participar das vivências relacionadas à memória, sem transformá-los em espaços de perpetuação de valores e comportamentos.

É tarefa da escola contemporânea preocupar-se com a formação integral do aluno, de maneira crítica e analítica, para a sociedade atual, para um mundo globalizado, por isso, deve refletir constantemente sobre suas práticas e atualizá-las.

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