Valorização das diferenças: escola municipal de São Bernardo (SP) é referência em inclusão
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Valorização das diferenças: escola municipal de São Bernardo (SP) é referência em inclusão

Apoio de profissionais formados e constante debate entre gestores e docentes ajudam a garantir direito ao aprendizado de todos na unidade Helena Zanfelici

Todos Pela Educação

31 Janeiro 2018 | 11h08

“A escola tem de ser para todos”, defende Éder Garcia, ex-coordenador pedagógico da Escola Municipal de Ensino Básico Helena Zanfelici, em São Bernardo do Campos (SP), instituição referência no trabalho com inclusão de estudantes com deficiência. “Mesmo antes de eu chegar à escola, os funcionários já tinham conhecimento sobre essa questão. Cada aluno era e é tratado de forma específica”, conta o educador que atualmente trabalha na Secretaria Municipal de Ensino de São Bernardo do Campo (SP).

O orgulho do docente não é sem razão. O País vem enfrentando muitas dificuldades no cumprimento da Meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE), (saiba mais aqui) que visa garantir que todas as crianças e jovens com deficiência tenham acesso à Educação. Por todo o Brasil, a população com deficiência enfrenta o dilema entre ficar em casa e ter seu acesso a conhecimento negado ou ir à escola e enfrentar o isolamento. Como se sabe, não há receita simples para promover um ensino em que todos tenham vez.

Nesse contexto, iniciativas como a da escola Helena Zanfelici devem servir de referência, incluindo o contexto de gestão pública em que a unidade está inserida. A instituição recebe apoio e cobrança da Secretaria Municipal de Educação para os procedimentos necessários para garantir uma Educação verdadeiramente inclusiva.

Segundo Éder, as informações de atendimento educacional especializado (AEE) são armazenadas e acompanhadas por um sistema de dados da secretaria municipal de São Bernardo. Além disso, para que a inclusão não seja apenas no papel, a resolução 33/2010 do órgão permitiu uma redução do número de alunos por classe. Já a Nota Técnica 19/2010 regula o apoio de profissionais diversos, com o objetivo de formar uma equipe multidisciplinar,  além do uso de materiais necessários para o atendimento adequado.

Inclusão a todo tempo

Ensinar a todos igualmente respeitando as diferenças de cada um é o coração de uma escola acolhedora das diferenças. Para que isso seja alcançado, é preciso mais que ações de transporte e acessibilidade, embora ambos sejam essenciais. Formação e engajamento da equipe escolar para superar desafios são fundamentais.  

Na escola são bernardense, durante o turno regular, em classes comuns, os estudantes recebem o auxílio pedagógico de docentes capacitados para atuar no chamado Ensino Colaborativo, que aposta na parceria. “O professor de AEE acompanha o professor principal não apenas em atividades; eles planejam as aulas juntos”, diz o ex-coordenador.

Após trabalharem nos turnos da manhã e tarde apoiando o professor e estudantes, as duas pedagogas pós-graduadas em AEE atuam no acompanhamento especializado dos alunos com deficiência durante o contraturno. Tal atenção só é possível devido à estrutura de sala de recursos multifuncionais equipada com as materais didáticos e mobília adequados.

Além disso, na escola, a inclusão não está restrita à sala de aula. Diretor e coordenadores também contribuem durante as Horas de Trabalho Pedagógico Coletivos (HTPCs) semanais, onde os planos são colocados para a apreciação de todos, juntamente a orientações técnicas periódicas oferecidas pela rede municipal.

O resultado aparece diante de cada desafio, quando os educadores vão em busca de novas respostas. “Mesmo que cada criança seja um caso específico, os professores precisam ser orientados sobre como agir. Por exemplo, a escola pode não ter hoje um aluno cadeirante, mas deve estar preparada quando ele chegar”, completa Éder. Tratar do assunto continuamente com toda a comunidade escolar garante que, mesmo diante da renovação do corpo docente, a inclusão permaneça.

Formação inicial

Embora o trabalho da rede seja peça-chave desse processo, para Éder, é urgente que a inclusão seja pauta das licenciaturas, para que os professores tenham conhecimentos mais profundos do tema já na formação inicial. “Se a universidade trata disso, o faz de forma superficial”, afirma.

A impressão do educador não está equivocada. Além de ainda haver poucos professores habilitados para o AEE no Brasil (37 mil em todo o País), segundo o Censo Escolar de 2016, 57% dos docentes que atuam nesse tipo de atendimento, ainda que licenciados, não possuem formação continuada em Educação Especial, desrespeitando a

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do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Câmara de Educação Básica que exige do professor essa formação.

Na falta de uma formação inicial de qualidade, cabe às redes garantir aos docentes informações, material e preparo para lidar corretamente com alunos a serem incluídos. Para Éder, os docentes precisam estarem atentos a essa discussão. “O professor não pode ter vergonha de não saber, mas precisa estudar. Não pode ficar parado”, afirma.