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Quatro dicas para trabalhar física na sala de aula

Todos Pela Educação

04/10/2017, 10:10

Professor da rede estadual do Rio explica como simples equipamentos podem ser usados para ensinar conteúdos da disciplina

Por Denise Crescêncio, do Todos Pela Educação

Apenas 45,1% das instituições escolares da rede pública que ofertam Ensino Médio no Brasil têm laboratórios de ciência. No Ensino Fundamental, esse percentual é ainda menor: 8,8%. Ou seja: a estratégia  7.18 do Plano Nacional de Educação (PNE), que diz respeito à infraestrutura das instituições escolares, está muito aquém do objetivo final. Dados mostram que somente 4,8% das unidades escolares possuem uma infraestrutura considerada adequada. A meta é que, até o final de 2024, todas as escolas brasileiras contem com todos os itens básicos para funcionamento.

Para ser considerada adequada, além de laboratório de ciência e seus instrumentos, a escola deve dispor também de energia elétrica, abastecimento de água tratada, esgotamento sanitário, espaços para a prática esportiva, bens culturais e artísticos e garantir a acessibilidade às pessoas com deficiência (veja mais aqui).

Diante do baixo percentual de escolas devidamente equipadas para as aulas experimentais, o professor de física Hercílio Córdova, da rede estadual do Rio de Janeiro, dá quatro dicas de como simples experimentos podem tornar os conteúdos teóricos da disciplina mais compreensíveis e envolventes para os alunos. Veja:

1.Conteúdo: circuitos elétricos 

A demonstração do  circuito, com capacidade de transformar qualquer um dos diferentes tipos de energia em elétrica, pode ser feita com os seguintes materiais: folha sulfite, grafite de lápis, bateria de 9 volts e lâmpada led. O grafite é um semicondutor de energia e, ao aplicá-lo no papel em forma de trilhas, será possível  conduzir os elétrons da bateria de 9 volts  para  acender a lâmpada LED. Além dos circuitos elétricos, essa prática aborda também as leis de Ohm.

2.Conteúdo: eletromagnetismo – barra antigravidade

Para realizar esse experimento, são necessários uma barra de alumínio de 30 cm e um ímã. O alumínio não é um objeto magnético, mas ao deixar a barra inclinada  e colocar sobre ela o ímã, será observado o fenômeno da indução eletromagnética. O ímã ,ao se movimentar sobre a barra inclinada, induz uma corrente elétrica que se opõem ao seu movimento.  Quanto mais inclinada a barra, maior é a percepção deste efeito, ou seja, ele deslizará lentamente sobre a barra. Substituindo o ímã por uma moeda,  por exemplo, o deslizamento será rápido, pois  este objeto não possui nenhuma propriedade magnética. Com essa prática, além da  indução eletromagnética, pode-se abordar a Lei de Lenz e corrente de Foucault.

 

3.Conteúdo: Força eletrostática- atração entre cargas

Com esse experimento é possível observar a atração entre dois corpos com cargas de sinais diferentes. São utilizados um cano de PVC, uma luva de lã ou pano de algodão e papéis picados. Quando o cano é atritado com a luva de lã/pano de algodão e aproximado dos papéis, estes são atraídos rapidamente para o objeto. Outra opção é virar um copo com água de modo a formar um fio d’água bem fino e aproximá-lo do bastão eletrizado. Com isso, o fio d’água formado vai se curvar em direção ao cano. Atenção: neste experimento é preciso cuidado para não molhar o cano, pois a umidade prejudica experimentos relacionados à eletrostática.

 

 

4.Conteúdo: Interferência e difração da luz

Neste processo,  são necessários uma tampa de alumínio (removida de potes de iogurte), uma agulha e um laser. Com a agulha, faça dois furos bem próximos no alumínio. Em seguida, aponte o laser para uma parede em um lugar escuro e coloque os furos no caminho do laser. O laser, que antes  era apenas um ponto, deve se transformar em vários anéis concêntricos com barras escuras os cortando – as  chamadas interferências destrutivas -, enquanto a parte clara e forte é denominada interferência construtiva. Essa prática é conhecida como Experimento de Thomas Young.  Observação:  caso seja feito apenas um furo, será possível visualizar somente os anéis concêntricos – a difração da luz.

Interferência e difração da luz/ arquivo pessoal  Hercílio Córdova

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