Projeto incentiva meninas a se interessarem pelas ciências exatas
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Projeto incentiva meninas a se interessarem pelas ciências exatas

Iniciativa "Tem Menina no Circuito" é realizada em escola estadual de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro

Todos Pela Educação

21 Dezembro 2017 | 10h50

Ao apresentar, de forma lúdica e divertida, como a energia é conduzida dentro de um circuito elétrico às alunas do Ensino Médio da Escola Estadual Alfredo Neves, em Nova Iguaçu, (RJ), o projeto “Tem Menina no Circuito” as conduz para um universo hoje majoritariamente masculino. De acordo com uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2012, somente 14% das brasileiras que ingressam pela primeira vez na Educação Superior escolheram cursos relacionados à ciência, incluindo engenharia, indústria e construção. (Confira uma reportagem, sobre o assunto, feita pelo Todos Pela Educação aqui).

A iniciativa, que busca incentivar a participação feminina nas carreiras de ciências exatas é desenvolvida, desde 2014, por Thereza Cristina de Lacerda Paiva, Elis Sinnecker e Tatiana Rappoport, professoras do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, para auxiliar as docentes, são escolhidas duas alunas como monitoras. “A ideia é quebrar o aspecto sisudo de como a física é comumente apresentada hoje no Ensino Médio”, afirma Thereza. É uma forma de tornar a aprendizagem, prevista na meta 7 do Plano Nacional de Educação, mais instigante. Ela conta que o projeto, que é anual, começa com cerca de 25 alunas, mas, infelizmente, ao final de cada ano letivo esse número cai para menos de 10.

Com massinha de modelar, papel sulfite, fita e linha de costura condutoras e tecido, o circuito elétrico é montado. Depois são adicionadas luzes de led, baterias, motores e engrenagens. Para que aconteça a rotação das engrenagens, Thereza explica que é necessário fazer uma pequena programação e, com isso, as alunas aprendem um pouco sobre o assunto.

Circuitos Elétricos feito por alunas da Escola Estadual Alfredo Neves / Blog Tem Menina no Circuito

Além de aulas dinâmicas e divertidas, as estudantes participam de atividades como palestras, fazem frequentes visitas ao Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) e interagem com os diversos experimentos dos laboratórios de pesquisa da UFRJ que, segundo a docente, são didáticos e permitem que as meninas vejam de perto a ciência sendo feita.

A pesquisadora conta que a iniciativa faz questão de se destoar da turma tradicional do Ensino Médio. “A intenção não é ser mais uma aula complementar de física e/ou química. É uma proposta flutuante”, diz. Os encontros acontecem às sextas-feiras após o almoço. O time de robótica da universidade também é levado para a escola e Thereza garante que isso motiva bastante as alunas. As docentes pretendem levar a iniciativa também ao Centro Integrado de Ensino Profissionalizante 218 – Ministro Hermes Lima, no bairro Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), onde, de acordo com ela, há maior necessidade de desenvolvê-lo.

Gabriela Galdino, monitora do “Tem Menina no Circuito”, é uma das jovens que seguiu nas exatas, ela faz licenciatura de Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Conta que as meninas representam apenas um quarto de sua turma na universidade. “Apesar de gostar bastante de exatas, eu não faria física se nao fosse o incentivo do projeto”, afirma.

As visitas a laboratórios e as aulas dinâmicas, segundo ela, foram determinantes para a escolha do curso. “‘O Tem Menina no Circuito’ é muito importante, pois é evidente a escassez de mulheres na área das exatas. Ao apresentar a ciência dessa forma divertida, é muito mais fácil despertar o interesse das meninas”, completa. Gabriela também reconhece que o fato de ter tido bons professores no Ensino Médio ajudou bastante. Ela lamenta que essa seja a realidade de poucas jovens brasileiras.

Para Letícia Yasmin, também participante do projeto, o contato com esse “universo”, principalmente com a robótica, foi uma experiência incrível e a aprendizagem acumulada será útil para a vida.”Sempre gostei muito de planejar, projetar, construir coisas e, desde que aprendi a montar os circuitos, eu procuro pensar em como posso usar o que aprendi na profissão que vier a escolher, seja ela qual for”, afirma.