A escola articulada às competências socioemocionais
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A escola articulada às competências socioemocionais

Atividades curriculares são estruturais no desenvolvimento das habilidades para o século 21

Todos Pela Educação

13 Dezembro 2017 | 10h50

Foto: Thiago Urban. Alunos durante oficina de textos da Olimpíada de Língua Portuguesa

Por Denise Crescêncio, do Todos Pela Educação

Durante a resolução de um exercício de matemática, muitas competências podem ser trabalhadas pelo aluno, por exemplo, a autoconfiança, a persistência e até mesmo a resistência às frustrações. Mais que questões técnicas e de proficiência, o aprendizado matemático deve preparar o aluno para resolver problemas simples e complexos com que um indivíduo se depara durante a vida. Já as aulas de artes e as rodas de debates são fortes aliadas para trabalhar-se habilidades como o pensamento crítico, a empatia e a abertura para o novo.

Assim, para além das habilidades cognitivas, a escola deve integrar ao currículo o que chamamos de competências socioemocionais, adquiridas por meio das relações interpessoais, do compartilhamento de experiências e do contato social. Essas características são fundamentais para o desenvolvimento integral dos estudantes.

De acordo com Simone André, gerente executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna, as atividades desenvolvidas no ambiente escolar, sejam elas prática de esportes físicos, aulas de arte, representações culturais ou exercícios em grupo, devem ter uma “soma de esforços”. Ou seja: elas precisam ser intencionalmente estruturadas para oferecer uma experiência significativa para os estudantes, potencializando o desenvolvimento das competências socioemocionais e fomentando o protagonismo estudantil. “O estudante tem que estar sempre numa posição ativa, não pode ser espectador da tarefa. Ele precisa participar ativamente das tomadas de decisões e, a partir disso, desenvolver essas habilidades” completa.

O desenvolvimento dessas habilidades pode ser consolidado com mais intensidade na Educação Integral, modalidade tema da Meta 6 do Plano Nacional de Educação, mas os especialistas alertam que esse pleito deve fazer parte de todo e qualquer currículo escolar e não apenas os ligados ao formato integral. Segundo Simone, quaisquer práticas pedagógicas que envolvem projetos de intervenção, estudo e pesquisa são propostas enriquecedores e boas aliadas para o desenvolvimento dessas habilidades. “É preciso colocar em ação uma série de competências ligadas a uma série de conhecimentos para que a experiência seja exitosa”, afirma.

Formação docente

A escola tem o desafio de articular a aprendizagem cognitiva ao desenvolvimento das competências socioemocionais, preparando as crianças e jovens para o século 21 e, para isso, a formação docente precisa estar alinhada a essa prática.

Diante disso, Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), aponta que a formação dos professores só está focada na problemática dos conteúdos disciplinares, como matemática, português e ciências, por exemplo. “A formação voltada ao pensamento crítico, à resolução de conflitos e ao contexto de diversidade, infelizmente, o docente não encontra na formação inicial e nem na continuada, portanto, fomentar o desenvolvimento dessas habilidades será desafiador”, explica o especialista.

Simone acrescenta que é fundamental que a “homologia de processos”, conceito que diz respeito à coerência entre a formação do professor e sua atuação na sala de aula, seja evidente. “Não tem como a Educação avançar se o educador não for capacitado com as mesmas metodologias e propostas curriculares que ele trabalha com o estudante na sala de aula”, afirma.

Conheça a iniciativa Acelera Brasil, do Instituto Ayrton Senna que visa articular as competências socioemocionais à aprendizagem dos estudantes , contribuindo para o desenvolvimento integral

Lino de Macedo é graduado em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São José do Rio Preto, mestre, doutor e livre docente em Psicologia pela Universidade de São Paulo. É membro da Academia Paulista de Psicologia e docente aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Sua linha de pesquisa é sobre o valor dos jogos na Psicologia e Educação como recurso de observação e promoção de processos de aprendizagem e desenvolvimento, na visão de Piaget.

*Instituto Ayrton Senna, organização parceira do movimento Todos Pela Educação no Observatório do PNE