8 pontos para evitar um futuro trágico para Educação brasileira
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8 pontos para evitar um futuro trágico para Educação brasileira

Se quisermos priorizar a Educação, precisamos agir agora

Todos Pela Educação

26 Abril 2018 | 11h16

Freepik Images

Por Lázaro Campos Junior, do Todos Pela Educação

Uma pesquisa recente mostrou que a insatisfação com a Educação pública aumentou no País nos últimos quatro anos. Segundo o estudo, realizado pelo Todos Pela Educação e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 26% da população considera o Ensino Médio ruim ou péssimo – em 2013, essa taxa era de 15%.

Ou seja: sabemos que há algo errado com a qualidade do ensino no Brasil. Mas por que não agimos? Se nada for feito agora, o que esperarmos do País no futuro?

Na verdade, o Brasil tem as ferramentas necessárias para corrigir os erros do passado. Sobram leis bem escritas – o que nos falta é aplicá-las de verdade, para tornar a Educação prioritária!

A receita não é simples, mas já é conhecida. Vamos lá:

1 – Todos na escola. Nas últimas décadas, o Brasil vem se esforçando para colocar todas as crianças de 6 a 14 anos no Ensino Fundamental. Essa mesma energia deve ser aplicada para incluir os pequenos de 4 e 5 anos. Embora a matrícula deles tenha se tornado obrigatória em 2014, com a Emenda Constitucional nº 59, cerca de 500 mil crianças no auge de seu potencial de aprendizagem ainda estão fora da escola.

2- Professor é profissão. Sabe quanto o professor está valendo? Metade. Metade do salário de outros profissionais que fizeram faculdade é a média do quanto ganham os docentes brasileiros no fim do mês. Priorizar a Educação como centro do nosso projeto de País passa pela valorização desses profissionais, com bons salários, condições de trabalho e planos de carreiras bem definidos. Do contrário, a carreira que já não atrai, atrairá ainda menos.

3 – Formação de professor não é brincadeira. Ter diploma mas não ter sido preparado para ensinar é como um cofre com um tesouro dentro. As licenciaturas precisam mergulhar na sala de aula, nas batalhas para ensinar e nas dificuldades para aprender. Tomando como referência a Base Nacional, precisamos formar melhores nossos professores, dando a eles conhecimentos sobre como o aluno aprende e liberdade sobre com quais métodos ensinar.

4 – Conhecimento vivo, alunos motivados. Não podemos mais insistir em uma engessada concepção conteudista de ensino. Uma aula desconectada do mundo, sem ligação com desafios atuais, é como o Esperanto: bonito, mas ninguém usa. Por isso, a Base Nacional prioriza competências – isto é, a capacidade de aplicar os conhecimentos obtidos – em todas as etapas da Educação Básica. As redes de ensino devem insistir em preservar esse foco na elaboração dos currículos regionais.

5- Integrar a tecnologia. Hoje, apenas metade de nossas escolas têm acesso à internet. Em um mundo em que a tecnologia evolui a cada instante, apresentando novos processos e maneiras de se relacionar, o aluno brasileiro está ficando para trás. Equipar as escolas e oferecer aos professores capacitação para utilizar essa poderosa ferramenta de forma pedagógica é fundamental.

6 – Mais participação juvenil. Imagine estar em um lugar em que suas sugestões e experiências são sempre ignoradas ou silenciadas. É desanimador, não é? Pois a falta de incentivo à participação faz exatamente isso com o aluno. Experiências bem-sucedidas mostram que abrir canais de diálogo com os estudantes e acreditar em suas contribuições transformam a escola.

7 – Escola de todas as cores. A diversidade é um dos princípios que aparecem na proposta da Base Nacional do Ensino Médio. Existem juventudes na escola, no plural mesmo, e não é à toa: o Brasil é diverso em pessoas, identidades e objetivos. Além do ensino cognitivo, a escola tem de enxergar seus alunos, conhecer seus projetos de vida e estimulá-los. E se a diversidade entra, o preconceito tem de sair, seja de cor, classe, crença ou orientação sexual.

8 – Acreditar que todo mundo pode aprender. Apostar no reforço escolar pode tanto melhorar índices de aprendizagem quanto combater a evasão. Precisamos mudar a maneira como vemos as dificuldades dos alunos. Todo aluno é capaz de aprender, mas com os métodos certos. Estudos provam que a repetência escolar não gera aprendizagem, pois apenas adia o problema. O ideal é estabelecer políticas de reforço escolar para ajudar os alunos e permitir que eles possam vencer suas dificuldades dentro do ano escolar adequado.

Está tudo aí. E você, o que pode fazer para a Educação ser prioridade já? Vamos juntos?