Educação Alimentar começa na Escola

Educação Alimentar começa na Escola

Natalie Valezi

08 Dezembro 2015 | 10h52

A cada dia que passa, a PlayPen Escola Cidade Jardim inova e se preocupa de forma mais intensa com o cardápio que é servido aos alunos. A ideia é tentar reduzir a crescente obesidade infantil vista nas crianças brasileiras nos últimos anos e desenvolver a educação alimentar nos pequenos.

O problema está contabilizado, a obesidade e o sobrepeso afetam 39% das crianças brasileiras, o que representa 1.000% a mais que há 40 anos, segundo o pesquisador e médico brasileiro Víctor Rodríguez Matsudo, um dos responsáveis pelo Estudo Internacional de Obesidade Infantil, desenvolvido em vários países.

Para reduzir esse problema, uma das medidas adotadas pela PlayPen Escola Cidade Jardim foi a compra de um forno combinado, com ar quente, seco e a vapor, priorizando o uso a vapor. “O preparo dos alimentos nesse forno é muito mais saudável, pois exige o uso mínimo de óleo e, a composição dos alimentos pouco se altera, o que os torna mais saborosos e crocantes para as crianças”, explica a nutricionista Mariana de Oliveira Matos, que foi contrata pela escola para desenvolver um cardápio mais equilibrado.

A gestora operacional da PlayPen, Daniela Almeida, lembra que há dois anos a instituição resolveu investir pesado no assunto. “Além de contratar a nutricionista, resolvemos fazer uma ampla reforma na cozinha. Sempre buscamos oferecer uma alimentação saudável às crianças, mas agora estamos com um cardápio mais elaborado e muito mais amplo”, explica ela e acrescenta que “a preocupação com a saúde de crianças e adolescentes tem crescido em todo o mundo. Afinal, alimentação inadequada e pouca atividade física têm tornado comum nessa faixa etária doenças como obesidade e diabetes. Estudos em diversas instituições brasileiras e internacionais apontam que a escola pode se tornar grande aliada na reversão desse quadro, já que é nela que os alunos se alimentam, fazem exercícios e, sobretudo, podem adquirir hábitos saudáveis. Estamos atentos a isso aqui na PlayPen”.

De acordo com a nutricionista Mariana de Oliveira Matos, para vencer a barreira dos alunos contra uma alimentação mais saudável, a escola fornece alimentos diferentes em receitas tradicionais. “Por exemplo, inserimos no cardápio o bolo de chocolate com abobrinha ralada, pãozinho de cenoura e de mandioquinha para o café, bolacha de aveia, farofa nutritiva com farinha de linhaças e talos de legumes, entre outros. As crianças comem e gostam muito”.

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Ele conta também que alguns alunos comeram verduras ou legumes pela primeira vez na escola. “Servimos todos os dias 3 tipos de folhas, 3 tipos de legumes e um grão. Tem alunos que não têm o hábito de comer verduras, mas quando  veem o amiguinho comendo, experimentam e, criam o hábito saudável e levam para casa”, conta ela.

Estudos apontam que durante os dois primeiros anos de vida, ocorre um rápido desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Dessa forma, práticas alimentares inadequadas no ensino infantil podem repercutir de forma negativa no desenvolvimento global das crianças.