O vestibular e a tradição judaica

O vestibular e a tradição judaica

Colégio Peretz

26 Janeiro 2016 | 06h47

Por Marcelo Guinsburg Hamburger*

Marcelo G. Hamburger, 1ºlugar na USFCar

Marcelo G. Hamburger, 1ºlugar na USFCar

Na tradição judaica, a educação ocupa um dos lugares mais importantes, sendo considerada uma das 613 mitzvot (regras que um judeu deve cumprir durante sua vida). Tal educação é tradicionalmente baseada no método da chavruta, no qual os estudantes são colocados em duplas e estudam juntos, com o objetivo de que, além de aprender o conteúdo, discutam o assunto abordado. Tal discussão é, para o judaísmo, a base do aprendizado. Foi inspirado por tais métodos que foi feito o Colégio I.L. Peretz, uma escola judaica secular (não religiosa).

Devido a tal inspiração, o Colégio se diferencia de outras escolas por, além de ensinar o conteúdo, buscar com que o pensamento seja despertado. Em um trimestre, por exemplo, o assunto na aula de Cultura Judaica foi a ética médica segundo o judaísmo: em vez de simplesmente ensinar os conceitos, o professor, primeiro, apresentou situações à sala. Apenas, quando todos os alunos haviam opinado e discutido, foi apresentada uma resposta de acordo com os preceitos judaicos.

No período do vestibular, tal educação acaba sendo de enorme ajuda. Nas redações, por exemplo, saber analisar criticamente o tema proposto é fundamental: em vestibulares competitivos não é suficiente saber apenas a estrutura de uma dissertação, é preciso ser capaz de apresentar argumentos originais. Nas questões de Ciências Humanas, tem sido uma tendência que os candidatos tenham que, além de reproduzir um conteúdo decorado, fazer uma análise maior do assunto. Mesmo em questões de Ciências Exatas e Naturais, o ensinamento judaico se faz presente, devido à necessidade de analisar a situação proposta na pergunta.

O período do vestibular é extremamente difícil, pois exige um aluno proativo: apenas assistir aulas não é suficiente para se conseguir uma aprovação, é preciso que o aluno estude sozinho também, sabendo quais são suas próprias necessidades. Simultaneamente, não se pode deixar que o vestibular ocupe todos os momentos da semana: o descanso e o exercício físico são também necessários.

É nesse contexto de um período difícil para os jovens que a educação não apenas focada no conteúdo, mas que agregue o treinamento do pensamento crítico, se torna relevante. Estar atualizado com o que acontece no mundo e saber argumentar são diferenciais importantes para qualquer candidato. Assim, o método de ensino judaico pode ser a ferramenta que gera tais diferenciais.

*Marcelo Guinsburg Hamburger  – Aluno do Colégio I.L. Peretz desde a Educação Infantil e aprovado no 1º Lugar no Vestibular da Universidade Federal de São Carlos (Eng. de Produção)