Dicas importantes para a elaboração do cardápio escolar

Dicas importantes para a elaboração do cardápio escolar

Colégio Peretz

02 Fevereiro 2016 | 09h42

Preceitos dietéticos judaicos, rendimento escolar e intolerâncias alimentares devem ser uma preocupação 

Por Daniela Cyrulin*

 

O cardápio mensal do Peretz é algo que demanda muito cuidado, sobretudo o do Ciclo Infantil. Afinal de contas, essas crianças passam, muitas vezes, mais tempo na escola do que em seu próprio lar.

Apesar de acreditar que a educação alimentar e os exemplos vêm de casa, penso que não podemos “deseducá-los”. Além disso, é nessa fase que se constroem os hábitos alimentares, então a responsabilidade da nutrição é enorme.

A elaboração dos lanches intermediários (manhã e tarde) precisa garantir o aporte de energia, proteína, vitaminas e minerais, além de hidratação, e precisamos levar em conta que existem crianças com gostos e necessidades distintas, por isso é importante avaliar o que será servido para não a diferenciar dentro do grupo.

Diante do exposto, buscamos encaixar, então, um carboidrato para garantir energia e atenção às aulas, uma proteína, que é de onde vêm os aminoácidos, as moléculas responsáveis pelo crescimento dos tecidos e recuperação de machucados, e uma fruta para fornecer vitaminas e minerais. Damos também o suco de fruta como opção, para quem não come a fruta ‘in natura’.

O carboidrato, na maior parte das vezes, vem no formato do pão, que varia entre o branco e o integral, pois tencionamos que os produtos integrais façam parte de sua dieta desde cedo. Eles são mais ricos em fibra, vitaminas e minerais, auxiliando também no bom funcionamento do intestino. O pão, em alguns momentos, é substituído por tapioca, pão de queijo, esfiha e biscoito integral.

Servindo alimentos saudáveis no lanche.

Servindo alimentos saudáveis no lanche.

A proteína também é variada, pode ser queijo ou requeijão, até porque o excesso de laticínios pode induzir a superprodução de muco, então, em épocas de resfriados e gripes, ele pode agravar a situação. Em seu lugar, colocamos como alternativas o ovo e o atum.

Quanto à fruta, procuramos servir as da estação, pois, dessa maneira, elas estão frescas e não precisam de tanto agrotóxico para vingar.

Outra questão no planejamento do cardápio do Peretz é a cashrut (leis dietéticas judaicas) já que se trata de um colégio judaico. Dessa maneira, não misturamos na mesma refeição carne e frango com derivados de leite. Isso é benéfico no final das contas, já que cálcio e ferro competem no intestino pela absorção, e não é interessante “nutricionalmente” oferecermos alimentos fontes de ferro (carne e frango) junto com alimentos fontes de cálcio (leite e derivados).

Há de se ressaltar que, nas festas judaicas, pratos típicos das comemorações são incorporados ao lanche. Faz parte da tradição e não é difícil de ser feito! Assim, pela alimentação, os pequenos observam os costumes familiares, e as professoras podem ensinar o porquê daquele prato, o que torna o lanche um momento especial. Em Chanucá, Festa das Luzes, quando celebramos o milagre de o óleo do Templo ter durado mais que o esperado, e as receitas são à base de óleo, temos os sonhos. Em Shavuot, atentamos para o período em separar a carne do leite (um dos mais rigorosos da cashrut), e servimos sorvete, o que é muito apreciado!

Outro fator levado em conta pela área de Nutrição é o de respeitar as intolerâncias alimentares que alguns alunos possuem, não os discriminando. Isso é feito servindo uma opção próxima a do cardápio tradicional, como, por exemplo, no caso do pão de queijo tradicional, em que a lactose é substituída e não se nota a “falta” desse ingrediente.

Outro cuidado que a Escola tem é o de estimular os pequenos a incorporarem novos alimentos tidos por eles como desconhecidos ou, inicialmente, não tolerados. Esse trabalho é feito de diversos modos: pode ser por meio da observação — quando o pequeno vê os coleguinhas comendo ou comentando sobre algum alimento que não está acostumado ou não faz parte de sua prática alimentar, ele, naturalmente, fica intrigado e tenta provar. Assim, na maior parte das vezes, acaba somando esse alimento aos seus hábitos. Lançamos mão de outra técnica, que é a de colocar um ou dois elementos em suas diferentes formas expostas em um cantinho, assim a professora convida a turma a ver como é tal alimento e os modos de ser degustado, como a beterraba, por exemplo.

A profª. Adriana mostra aos seus alunos, o Cantinho do Bem-Estar.

A profª. Adriana mostra aos seus alunos, o Cantinho do Bem-Estar.

Gostaria de compartilhar uma mudança que fizemos no Colégio em relação ao almoço. Há um ano, durante essa refeição, servíamos suco. As crianças se fartavam de suco e não comiam direito. Há uma frase que uso muito e na qual acredito: “Se tem sede, tome água. Se tem fome, coma fruta”. Assim, eliminamos o suco da hora do almoço, deixando somente a água mineral. Como resultado, as crianças estão comendo muito melhor e ingerindo bem menos açúcar na hora do almoço, o que é ótimo, pois o rendimento das aulas após essa refeição aumentou muito. Os alunos estão mais atentos! Essa foi uma transformação muito positiva e quis dividir com vocês!

E, por último, como nutricionista responsável pelo Colégio I.L. Peretz e em razão dos meus anos de prática, quero deixar três dicas para os responsáveis pelo lanche dos pequenos:

  1. Cuidado com os alimentos industrializados. Leia sempre o rótulo, se em um dos três primeiros elementos contiver açúcar ou um derivado, opte por outra coisa, por causa do efeito rebote;
  2. Tente introduzir uma fibra, fruta, castanha, ou fruta seca. Isso faz com que a glicemia fique estável e, consequentemente, o rendimento melhor;
  3. Preste atenção ao suco industrializado. Dê preferência ao natural, água, ou água de coco.

 

*Daniela Cyrulin é  nutricionista do Colégio I.L. Peretz