Sob a perspectiva de um vestibulando: a escolha da profissão

Sob a perspectiva de um vestibulando: a escolha da profissão

Colégio Pentágono

30 Agosto 2017 | 10h44

Ser vestibulando é inquietação. Em um curto intervalo de tempo, na passagem do segundo ao terceiro ano do Ensino Médio, uma série de cobranças se tornam rotineiras: o compromisso com o estudo, o convívio com a pressão e o manejo do tempo, entre tantas outras. A grande questão, no entanto, não se limita à adaptação, mas sim ao fato do esforço, por vezes, não ser acompanhado pela nitidez na perspectiva de futuro. Isto é, diferentemente dos usuais desafios enfrentados, creio que muitos alunos, assim como eu, chegam a essa fase sem uma definição clara da profissão que almejam e, portanto, enfrentam toda a rotina mencionada sem a clareza da razão pela qual o fazem e com um entrave adicional: a escolha da profissão.

A princípio, as dúvidas são muitas e estou certa de que esse fato se deve, quase que integralmente, às mudanças repentinas, sem o intermédio de uma transição. Até o momento em questão, o foco da vida escolar do estudante permanecia centrado nos boletins e nas provas e, em uma fração de segundo, o vestibular passa a protagonizar e, com ele, a faculdade para determinada carreira. Sem mais nem menos, são exigidos os conhecimentos de divisões pós-modernas sobre áreas de interesse, grades curriculares, dia a dia do profissional, habilidades e atuação no mercado.

Se por um lado o desafio aparenta ser adaptar-se ao que cerca o estudante nesse momento, por outro, reside em conhecer a si mesmo. Acredito que o autoconhecimento é a chave para o processo de escolha da profissão, uma vez que é a empatia do vestibulando por determinados assuntos e são os traços de sua personalidade que determinarão os seus objetivos e aquilo que o realizará profissionalmente. Contudo, tratando-se de uma fase de questionamentos, na qual a identidade ainda está em transformação, concluí que olhar para dentro pode ser tão difícil quanto olhar para o desconhecido.

Ademais, esse processo envolve outra etapa que julgo determinante: enxergar-se como profissional. Concluí, por meio de minha experiência pessoal, que conviver com o ambiente escolar por tantos anos faz com que o estudante veja aquele espaço como parte de sua rotina, uma extensão de suas obrigações, além de cultivar laços e uma identificação forte. É difícil imaginar-se encerrando esse ciclo, mas ainda mais complexo imaginar-se em outro. No entanto, insisto em apontar que o verdadeiro entrave reside em contentar-se com a abstração que aquele mundo universitário ainda significa, apesar das pesquisas e orientações, e optar por uma profissão.

Por conseguinte, arrisco dizer que a escolha da profissão envolve três etapas imprescindíveis, sendo estas: a adaptação aos novos conhecimentos exigidos, informando-se; a capacidade de conhecer-se em uma fase de rupturas; e a identificação com a rotina profissional, mesmo que distante e abstrata.

Porém, embora muito confuso, creio que esse processo pode ser facilitado por meio, essencialmente, do apoio das escolas e da família. Enquanto instituição de ensino, cabe à escola oferecer oportunidades para que o aluno escolha os caminhos nos quais aplicará os conhecimentos obtidos. Assim sendo, o Colégio Pentágono toma inúmeras iniciativas, das quais tive a sorte de usufruir, que, adaptadas constantemente, permitem que o aluno investigue suas habilidades e tire suas dúvidas. Entre esses projetos, vale mencionar:

  • Fórum Estudantil do Pentágono: simulações em diferentes contextos históricos, que permitem que o estudante explore suas habilidades de debate, negociação, representação e persuasão;
  • Orientação Vocacional: oferecida durante o segundo ano do Ensino Médio e realizada em grupo, dá ao aluno a oportunidade de se explorar, de se autoconhecer e de realizar testes com acompanhamento psicológico profissional;
  • Alumni: encontros, implementados em 2017, com ex-alunos do Colégio Pentágono, nos quais os vestibulandos resolvem suas dúvidas acerca do mundo universitário, conhecendo melhor os cursos e as grades curriculares.

Finalmente, no que se refere à família, por sua vez, considero que cabe instigar o uso dos recursos supracitados, apoiar a decisão do aluno e, sobretudo, não ampliar a pressão já estabelecida socialmente.

Luiza Fouco
Aluna do Ensino Médio do Colégio Pentágono