Os ritos da adolescência

Os ritos da adolescência

Colégio Pentágono

06 Setembro 2017 | 10h31

Vista como fase de transição entre a infância e a vida adulta, a adolescência é alvo de muitos investimentos da sociedade, preocupada em preparar a nova geração. Mas o que significa “virar” um adolescente? Qual é o impacto de viver sob o signo da “transição”? Como viver sempre inacabado a esperar o momento no qual finalmente você pode ser?

Para o adolescente, esse processo não é uma “fase” ou “período” de transição. O futuro está muito distante para servir como referência. Desta maneira, a adolescência não é sentida como transição. Esta fase é a única vida que este jovem conhece.

Ao longo da história, todas as sociedades criaram e cultivaram práticas culturais que ajudavam os seus indivíduos a organizar as fases da vida, estabelecendo marcos de referência. Nós conhecemos essas práticas como rituais. Os mais fáceis de observarmos como exemplos deste processo são os rituais religiosos, que marcam a formação de um indivíduo dentro de uma cosmologia específica.

A escola também é marcada por momentos simbólicos que organizam a temporalidade da vida do aluno. No Colégio Pentágono, este processo vital de condução do amadurecimento do jovem é sistematizado, principalmente, em duas frentes: no currículo de Formação Social e nos projetos de série que se encadeiam  em uma sequência progressiva. O objetivo é apoiar esta transição do aluno e permitir a construção de um acervo de referências, de um patrimônio identitário.

Vejamos essa sucessão.

No 6º ano, os alunos retomam a relação consigo mesmos a partir da perspectiva do patrimônio familiar, no Projeto Identidade. Ao longo do primeiro semestre, o aluno é estimulado por diversos procedimentos a revisitar a sua história e a de seus antepassados, reorganizando esse vínculo para poder se compreender de maneira mais profunda como parte de uma família. Esse elo é o mais importante, pois permite a estabilidade emocional necessária para o aluno expandir a sua identidade e compreender que, além de possuir um patrimônio familiar, é seu direito, também, um patrimônio social.

Assim, os próximos dois projetos ajudam a expandir a sua identidade para englobar as referências de sua sociedade. Ao longo do segundo semestre do 6º ano, no Projeto Água, Céu e Terra, e no 7º ano, no Projeto Historicidades, o patrimônio identitário do aluno acrescenta à sua riqueza as ideias de patrimônio cultural e natural. Conhecendo a região da nascente do Rio Tietê e as Cidades Históricas de Minas Gerais, os alunos vivenciam e ampliam a compreensão de sua sociedade, de seu país. Isso permite ampliar o conjunto de referências identitárias do aluno. Ele não é apenas membro de uma família que o ama, é também parte de um país com uma imensa riqueza cultural e material.

A retomada do trajeto se dará na criação de momentos nos quais o adolescente em formação poderá voltar para si mesmo e refletir. Esse é o objetivo do projeto do 8º ano, Identidade e transformação. Por meio das aulas das diferentes disciplinas, os temas difíceis e importantes da puberdade, como corpo, sociabilidade e respeito entre os diferentes, são abordados para ajudar o aluno a sedimentar os valores trabalhados ao longo dos outros projetos. O adolescente passa, então, a valorizar e a perceber que este conjunto de patrimônios lhe permite formar e fortalecer o seu patrimônio como indivíduo.

No 9º ano, por meio da linguagem teatral e da retomada da história de São Paulo, os alunos do Colégio Pentágono transformam toda essa longa fase de transição em uma grande apresentação cultural. Une-se, neste momento tão delicado da transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio, o repertório de referências visitado nos quatro anos do Ensino Fundamental II. Assim, a apresentação do teatro para os familiares é o rito final desta transição, empoderando nossos novos jovens adultos como cidadãos de um mundo que nunca precisou tanto de indivíduos capazes de respeitar o seu patrimônio, ancorar-se no presente e seguir o futuro acadêmico no intrigante amanhã que se anuncia.

André Côrtes de Oliveira
Coordenador do Ensino Fundamental II da unidade Perdizes do Colégio Pentágono