Amizade não tem preço

Amizade não tem preço

Colégio Pentágono

25 Outubro 2017 | 13h49

Muito tem se falado sobre a precocidade de nossas crianças. Elas nasceram em um mundo cheio de estímulos e é natural que sejam influenciadas por eles. A comunicação está em toda parte e é explorada de todas as formas. Nossos pequenos estão expostos a ela o tempo todo.

Essa exposição tem influenciado o desenvolvimento de nossas crianças, mas não podemos atribuir apenas à tecnologia avançada a responsabilidade por alguns comportamentos precoces apresentados por elas. Outros fatores, como o ambiente familiar, o exemplo dos mais velhos e, mesmo, as motivações originadas em seu mundo interno podem contribuir para que elas ajam de uma maneira que não combina com o esperado para a idade.

Alguns comportamentos são dignos de nossa atenção. Às vezes, alguns alunos da Educação Infantil, especialmente na data comemorativa do dia dos namorados, tomam a iniciativa de trazer presentes para uma determinada criança a quem chamam de “namorada” ou “namorado”. Por não ser natural que eles assumam esse tipo de “compromisso”, em razão da pouca idade, os adultos se veem diante de uma situação nova.

Alguns pais se empolgam com a ideia e atendem ao pedido dos filhos para providenciar um presente. Outros, agem de maneira a coibir essa manifestação.

Aqui no Colégio Pentágono, somos muito cuidadosos ao lidar com o assunto, pois, mesmo que de maneira equivocada, na confusão entre amor e amizade, temos sentimentos envolvidos. A criança pode, realmente, ter preferência por um determinado companheiro ou companheira, mas essa escolha costuma ser motivada por outro tipo de amor que não o conjugal. Ela deseja manifestar esse amor e usa os recursos que os adolescentes e adultos usam, imitando-os, pois são as referências que encontra no dia a dia. Ela, na verdade, está experienciando o mundo dos adultos,fingindo ser grande, como o faz em outras brincadeiras, como papai e mamãe, casinha etc.

Cabe a nós, pais e educadores, em um primeiro momento, validarmos esse amor que ela sente pela outra criança e, depois, estimularmos outras formas de demonstrar essa amizade, sem ser com “presentes” e coisas compradas. Ela precisa perceber que amizade, amor e companheirismo se retribui e que existem outros modos de conquistar pessoas.

Os mais velhos, que já estão no Fundamental l, também manifestam o desejo de “namorar” e, no caso deles, este fato pode ter mais autenticidade. Mas, se pudermos evitar que desviem a sua atenção de coisas que são próprias de crianças, estaremos proporcionando mais possibilidades para a criatividade e a imaginação, que também são muito importantes.

Como adultos, sabemos que ganhar presentes é muito bom, mas o efeito não dura tanto quanto quando temos manifestações verdadeiras de solidariedade e amizade, principalmente quando mais precisamos.

Heloísa Porto Alegre
Orientadora Educacional do Colégio Pentágono