Diálogos sobre as escolas ocupadas

Diálogos sobre as escolas ocupadas

Colégio Oswald de Andrade

11 Dezembro 2015 | 16h35

Há algumas semanas, um grupo de alunos do Ensino Médio do Oswald tem se envolvido com a questão das escolas ocupadas em São Paulo. Pensando em ampliar o debate sobre o ensino público, eles participaram de encontros com estudantes da E.E. Godofredo Furtado, que inspiraram um texto escrito pelo grupo.

Encontro entre estudantes do Oswald e da E.E. Godofredo Furtado, que aconteceu em novembro

Encontro entre estudantes do Oswald e da E.E. Godofredo Furtado (novembro/2015)

Leia o texto completo:

Nós, um grupo de aluno do Ensino Médio do Colégio Oswald de Andrade, estamos apoiando o movimento de ocupação das escolas estaduais. Nossa primeira iniciativa foi arrecadar dinheiro para levar suprimentos para as escolas ocupadas.

Ao levar esses suprimentos à Escola Estadual Godofredo Furtado, fomos convidados a conhecer a escola e a participar de uma roda de conversa a fim de trocar experiências e visões sobre o ensino público. Nessa visita nos deparamos com a falta de cuidado do governo tanto em relação ao espaço físico dessas escolas, quanto com as questões pedagógicas delas.

Além disso conhecemos pessoas que realmente vivem essa realidade, pois este texto, por exemplo, está sendo escrito de uma visão privilegiada. Por conta disso o contato com essas pessoas nos fez realmente perceber o impacto dessa proposta da “reorganização” do governo Alckmin, que foi feita sem diálogo e sem visar realmente a educação, na vida dos estudantes que agora estão lutando pela sua educação.

Agora estamos nos unindo com pessoas que antes não tínhamos contato. E é uma troca que acrescenta muito a formação de todos os secundaristas, uma vez que são os ocupantes que podem nos contar, com as próprias palavras, o que está acontecendo, fazendo com que tenhamos uma visão mais nítida da situação. Isso é muito diferente de ler sobre o movimento em algum jornal, por exemplo, que em muitos casos manipula informações.

Então achamos que essa luta mais do que legítima; é necessária para melhorar a educação e não acontecer a “reorganização”. Por isso estamos tentando fazer o que é do nosso alcance para apoiar os estudantes. E você, leitor deste texto, procure ir a uma escola, levar comida, perguntar como os estudantes estão, levar sua presença e apoio ao movimento e dar, quem sabe, uma aula, pois esse é o jeito de vivenciar esta causa, realmente entender o movimento dos estudantes e dar força para que estes continuem sua luta. E dentro desta luta os secundaristas estão limpando suas escolas, procurando ter aulas que eles nunca tiveram, cozinhando, consertando coisas que foram abandonadas pelo governo. Estão, assim, se apropriando espaço escolar tanto físico quanto pedagógico que no fundo é deles e deve ser ao menos garantido pelo governo.

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