Caçadores de nascentes: cadê a água de São Paulo?

Caçadores de nascentes: cadê a água de São Paulo?

A crise de abastecimento de água é hoje uma realidade na metrópole de São Paulo. É comum ouvirmos que toda essa crise foi causada por fenômenos naturais, como a falta de chuvas.

Ofélia Fonseca

25 Junho 2015 | 12h20

Dando continuidade às reflexões sobre a importância das saídas de campo para uma formação mais completa – como já feito nesse blog Mapear o  Cotidiano –  Cartografia  , A Importância do Estudo do Meio , e Antropologia Urbana e as Centralidades  – elaboramos mais um relato, agora sobre uma investigação direta para problematizar a crise de abastecimento de água em São Paulo.

A crise de abastecimento de água é hoje uma realidade na metrópole de São Paulo. É comum ouvirmos que toda essa crise foi causada por fenômenos naturais, como a falta de chuvas. Para investigar se realmente vivemos em uma cidade sem água os alunos dos 6º e 7º ano realizaram uma saída pedagógica, com os professores de história e geografia, em busca de nascentes de rios próximas ao nosso colégio!

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Depois de estudarmos em sala alguns conceitos relacionados à hidrografia como: bacias hidrográficas, lençóis freáticos, divisores de águas etc. fomos a campo por a prova nossos conhecimentos e relacioná-los com a forma que construímos nossa cidade.

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Inspirados pelo coletivo, Existe água em SP –  https://www.facebook.com/existeaguaemsp?fref=ts,  visitamos a Praça da Nascente na Pompéia, onde a comunidade do bairro se organizou para revitalizar algumas nascentes do córrego da Água Preta, dar uso a elas e tornar a praça um espaço agradável. Na avenida Sumaré  vimos o contrário: um terreno baldio com muitas nascentes do córrego do Sumaré que não muito bem aproveitadas e escorrem diretamente para os bueiros, se misturando ao esgoto. Por fim conhecemos na praça Wendel Wilkie uma das nascentes do córrego do Pacaembu, um rio que passa pertinho da nossa escola!

Em apenas algumas horas descobrimos que existem muitos rios ao nosso redor! Infelizmente, os rios estão canalizados em baixo de grandes avenidas e suas águas não são utilizadas para nenhum fim, a não ser como esgoto.

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Será que realmente a culpa é da natureza pela falta de água? Será que a forma como construímos nossa cidade não influencia nisso? A crise de abastecimento não pode ter sido causada pela maneira como o ser humano vem construindo seu espaço de vida? Ou será que basta torcermos para que chova mais e a crise se resolverá?

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Pensar nessas questões, apoiados no deslocamento de nosso olhar por uma experiência externa à sala de aula, servirá como proposta para refletirmos sobre o nosso modelo de sociedade a partir da relação que mantemos com as águas dos rios que estão no nosso entorno.

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Eder Camargo
Professor de História – Ensino Fundamental II

Miguel Crochik 
Professor de Geografia – Ensino Fundamental II