Mostra Cultural, fragmentos do cotidiano escolar

Mostra Cultural, fragmentos do cotidiano escolar

Paulo Adolfo

13 Novembro 2017 | 15h58

A Mostra Cultural desse ano foi muito significativa. Quem percorreu os corredores do Colégio Marista Arquidiocesano neste sábado, 13/11, notou temáticas fortes e, entre elas, sustentabilidade e valorização das diferenças. “Trata-se de uma oportunidade fantástica para observar fragmentos do cotidiano escolar. Os valores Maristas servem de pano de fundo para todos os projetos”, afirma Lilian Gramorelli, coordenadora psicopedagógica do Fundamental II do Colégio.

Na Portaria Central foi possível apreciar os meninos do 6º ano com instalações para estimular os sentidos, mostrando as diferentes maneiras de as pessoas reagirem a estímulos. Na exposição “É extraordinário ser diferente”, da disciplina Língua Portuguesa, as vendas eram customizadas e alimentos para degustação muito sortidos. “Os alunos leram o livro Extraordinário, cuja tônica é trabalhar a ideia da diferença, respeitando o outro. A obra tratou da questão do bullying, por exemplo”, afirmou a professora Claudia Matheus. “Todo esse trabalho começou em maio e os pais estão participando bastante das instalações, resultado desse trabalho”, acrescentou a professora Vanda Lucia Prado Mattos.

Ainda tratando dos estudantes do 6° ano, eles protagonizaram um dos momentos mais emocionantes da Mostra: um coral que ocupou as escadarias do Pátio Central. Flashes e mais flashes e um sem-número de aplausos depois das apresentações das canções Blowin’ in the Wind (Bob Dylan), What a Wonderful World (Louis Armstrong) e Heal the World (Michael Jackson). “A performance foi fruto de leituras variadas e de muita produção textual”, explicou a professora Rosana Araujo de Paula Ramos.

O pessoal do 7º ano mostrou conhecimentos acerca de estatística, história e língua portuguesa com obras sobre o holocausto (a partir da obra “A Mala de Hana”), com literatura de cordel e com um varal de ideias, expondo experiências pessoais. O professor Rodrigo Simões Singh, de Matemática, falou um pouco sobre o projeto de Estatística: “Os alunos fizeram um levantamento sobre o perfil da turma para saber sobre como utilizavam o tempo, prevendo tempo de descanso, de estudo, de uso de redes sociais. Fizeram a comparação de dados e chegaram à conclusão de que passam muito tempo nas atividades extracurriculares, principalmente nas redes sociais, e menos tempo descansando ou estudando”. Um estudo bem interessante para redefinir hábitos.


Na área de inglês e espanhol dos 7ºs anos, foram exibidos trabalhos com inspiração no Saber Cuidar. Ideias sobre reciclagem e sustentabilidade foram impressas nas HQs, nos cartazes e em envelopes. Shakespeare (biografia) foi pauta também, afinal, clássicos são clássicos.

Um projeto que chamou a atenção dos passantes foi o “Paraty” dos 8°s anos. Logo na entrada da sala foi possível mergulhar na cidade escolhida para o Estudo de Meio a partir do totem com imagens da cidade e do making of da viagem. O cenário se compôs por cartazes com a reprodução dos elementos de Paraty: casas do centro histórico, igrejas que visitaram, colunas que representam os elementos da maçonaria, desenhos de observação da cidade e azulejos portugueses.

Ainda tratando dos meninos dos 8°s anos, foram expostos os “cotidianos” das salas de aula com produções sobre o Interdietas, o estudo da umbanda e do candomblé em Ensino Religioso, a produção de mosaicos e oratórios em Artes e trabalhos sobre a Revolução Industrial.

O mundo em transformação foi pauta dos estudantes do 9º ano. O projeto envolveu as disciplinas de Educação Física, Arte, Ciências, Ensino Religioso, História, Geografia e Língua Portuguesa. As telas e maquetes reproduziram a cidade como ela é hoje, sem planejamento, ilustrando a problemática do mundo contemporâneo. Os alunos também apontaram situações para contornar os problemas, estudando as cidades de Brasília e Dubai – planejadas – para desenvolver produtos e serviços baseados em políticas públicas, tais como tratamento de água e coleta de lixo. Noções de inovação e administração (custo/retorno) foram usadas para tal.

O projeto de escuderia de F1 do Colégio Marista Arquidiocesano esteve em evidência, representando parte das 1ªs e 2ªs séries do Ensino Médio. A equipe do Team Falko – com camisetas com o logo da equipe, sinal de profissionalismo – desenvolveu para a Mostra um projeto de realidade aumentada com carro de Fórmula 1, utilizando, inclusive, o capacete do Ayrton Senna. Para tal, foi utilizado um programa de QR Code que escaneia e traz a realidade aumentada.

Sob o espectro do Ensino Médio, a Comunidade Escolar pôde ter acesso ao compilado da produção do Arquicultura: Orbitando pela Avenida Paulista (Projeto Órbitas), Cine debate (“A Boa Mentira”, “O nome da rosa”, “Quem quer ser um milionário”, “Eu, Daniel Blake”, “O menino e o mundo”), exposições na Biblioteca Central, visita ao jornal Folha de S. Paulo, concurso de fotografia, palco aberto, entre outras atividades.

O Urbenautas e Órbitas Urbanas, projetos de cidadania desenvolvidos no Ensino Médio, também chamaram a atenção dos passantes.

O projeto “Eu, Cidadão em construção” da 3ª série do Ensino Médio, conduzido pela professora Heloisa Iaconis, mostrou uma educação transformadora e arejada. Unindo as disciplinas de Ensino Religioso e Orientação Profissional, o projeto contempla princípios de organização de vida, sentido existencial a partir de alguns princípios filosóficos (livre arbítrio, determinismo, liberdade situada e predestinação) e filosofia de algumas culturas religiosas, levando o aluno a relacionar seus objetivos para o futuro e o sentido que ele vai dar para sua existência. “Tudo se inicia com um resgate da formação do aluno e da sua personalidade a partir das suas influências e das suas comunidades, para que ele consiga reconhecer habilidades e competências e estabelecer prioridades, objetivos e sonhos”, afirmou a professora Heloisa.

A produção é feita em duas partes: a primeira levanta a questão “Quem sou eu?”, e a segunda “Quais são os meus sonhos?”. “Um aspecto muito importante que trabalhamos é mostrar aos estudantes a profissão enquanto função social. Incluímos o conceito de religiosidade dentro da função, entre outros aspectos importantes como a necessidade de se olhar, se ver, se reconhecer e não prestar atenção apenas nas habilidades e nas competências na hora da escolha profissional, mas também no que eu valorizo e no que me faz feliz”, finaliza a professora.

Muitos outros projetos enriqueceram a memorável manhã.