Ecologia e justiça social pelo olhar de Francisco

Ecologia e justiça social pelo olhar de Francisco

Natália Venâncio

15 Fevereiro 2016 | 15h37

 

Campanha_Laudato_Si

 

O Papa Francisco tem chamado atenção do mundo por sua ousadia. E uma das ações que impactaram a humanidade e, sobretudo, os líderes mundiais, refere-se à Carta Encíclica “Laudato Si: sobre o cuidado da casa comum”, redigida em meados de 2015 pelo próprio Pontífice.

O documento também ficou conhecido como “encíclica verde” e defende a retomada da responsabilidade humana para com o planeta, já que este vem sendo deteriorado de forma tangível, graças a pretensão humana de dominar, explorar e saquear a casa comum.

Segundo Padre Lisboa, Capelão do Colégio Marista Arquidiocesano, a questão central da encíclica é a reflexão sobre o mundo que queremos deixar para as gerações que nos sucedem. No documento, o Papa aponta que a solução para driblar a extinção dos recursos naturais não está no indiscriminado crescimento econômico. Citou ainda problemas inter-relacionados, tais como escassez da água, erosão da biodiversidade, a deterioração da qualidade de vida humana e a degradação da vida social. Mas nesse contexto, surgem perguntas: como podemos contribuir para “melhorar o mundo” no nosso dia a dia? Quais atitudes simples podem ser transformadoras?

“Todos os sistemas vivos são complexos e inter-relacionados. A humanidade e o planeta vivem esta complexidade e inter-relação. Por isso, precisamos assumir a nossa responsabilidade individual, familiar, comunitária, social e institucional com a casa comum. Esta inter-relação nos insere numa comunhão universal, uma espécie de fraternidade planetária. Não dá para seguir adiante numa tão em voga cultura da indiferença, mas faz-se imperativo, para a sobrevivência integral do planeta e, consequentemente, da humanidade, desenvolver a cultura do encontro”, afirma o Padre Lisboa em consonância com a Carta Encíclica Laudato Si.

O Capelão do Arquidiocesano acrescenta ainda que o Papa Francisco insiste que o cuidado com o ambiente implica a cautela com os pobres, e que todas as consequências do descuido humano com a natureza resvalam na fragilidade dos empobrecidos e explorados da sociedade.

Liderança de peso

Na Carta Encíclica “Laudato Si: sobre o cuidado da casa comum”, o Papa também trata da dificuldade na defesa de um desenvolvimento integral, devido à ausência de lideranças que sejam capazes de traçar caminhos, que procurem dar respostas às necessidades das gerações atuais, com a inclusão de todos, sem prejudicar as gerações futuras (cf. LS 53). O que nos empurra a uma ecologia superficial e aparente.

“Quando se acessa o pensamento do Papa, esboçado em seus discursos na globalidade de seu apostolado episcopal, desde Buenos Aires até agora, é possível deparar-se com conceitos recorrentes. Isto expressa sua coerência de vida. O que diz e faz articula-se bem entre si, com transparência. A sobriedade e solicitude que defende são vividas por ele cotidianamente desde muito tempo.  Por isso, para o mundo e para o Brasil, uma liderança autêntica é muito importante para realentar as práticas sociais, e despertar as pessoas para o envolvimento com a construção de um mundo melhor do que este”, finaliza o Padre Lisboa.