“A plenitude da atenção deveria ser o principal objetivo da educação”

“A plenitude da atenção deveria ser o principal objetivo da educação”

Paulo Adolfo

03 Outubro 2017 | 08h39

A Formação no Colégio Marista Arquidiocesano é levada muito a sério e é por isso que Jorge Larrosa, Professor de Filosofia da Educação na Universidade de Barcelona, esteve nele na segunda-feira, dia 25 de setembro, ministrando duas palestras para os educadores; a primeira teve a temática “Experiência e Alteridade em Educação” e a outra foi sobre “La escuela y la articulatión de la igualdad y la diferencia”, encerrando o 2º Seminário Marista – Direitos Humanos e Educação, ocorrido em abril de 2017.

A música do Lenine “Diversidade” abriu o primeiro encontro no intuito de mostrar heterogeneidade (“Foi pra diferenciar/Que deus criou a diferença/Que irá nos aproximar/Intuir o que ele pensa/Se cada ser é só um/E cada um com sua crença/Tudo é raro, nada é comum/Diversidade é a sentença”).

O acadêmico mencionou vários conceitos, sendo que um deles foi o de experiência (“aquilo que acontece”, “aquilo que me acontece”, “o que me passa”, “isso que me passa”). E mencionou também o princípio da alteridade ou princípio da exterioridade (“Se lhe chamo de princípio de alteridade é porque isso que me passa tem que ser outra coisa que eu. Não outro eu, ou outro como eu, mas outra coisa que eu. Quer dizer, algo outro, algo completamente outro, radicalmente outro”).

Houve também muita reflexão acerca do papel da escola: “Todos somos sujeitos de uma experiência e podemos compreender a escola enquanto lugar de experiência”.

Segundo Larrosa, na escola de antigamente, o aluno não tinha voz. Hoje é diferente, o sujeito da experiência deve ser um sujeito autônomo. “Vale compreender que a escola não é o mundo, é uma representação dele, e o estudante traz o mundo para a sala de aula”, afirmou. “Quando indagamos os alunos sobre suas experiências de vida, raramente as associam à escola”, refletiu o professor.

Outro ponto bem interessante sobre a palestra diz respeito ao momento em que a experiência particular vira pública, ou seja, quando o relato deixa de ser particular (por vezes até traumático) e vira comum, objeto de reflexão. Trata-se da escolarização da experiência, momento em que um fato privado ganha relevância pública, o sujeito não é o protagonista, a história é que é.

Outros conceitos importantes foram mencionados, tais como heteronomia e autonomia, protagonismo do sujeito, dietética corporal e espiritual, entre outros. Sobre o papel da escola da contemporaneidade, Larrosa acredita que a escola é uma espécie de fornecedora, de produtora de experiências, e que a atenção deveria ser o principal propósito das instituições de ensino.

As reflexões se estenderam até de noite e foram extremamente relevantes para o Colégio Marista Arquidiocesano.