Para onde vai a política no Brasil?

Colégio Ítaca

31 Agosto 2015 | 20h10

A política e a Educação

Já é lugar comum reconhecer o fosso existente entre os nossos representantes políticos e os cidadãos, bem como debilidades nas instituições políticas brasileiras. Pois essa desconfiança dos cidadãos em relação à política tende a agravar-se em tempos de instabilidade como os que vivemos atualmente. Até por isso, em um momento como esse algumas questões também acabam por tornar-se fundamentais: quais exatamente são os nossos problemas? Quais são as suas causas? E, mais importante, como é possível solucioná-los?

E a escola é, sim, um espaço em que tais questões devem ser discutidas. Assim, o curso de Contemporaneidades, neste 2º EM de 2015, põe essas e outras discussões em foco: em meio à leitura de notícias, pesquisas, mesas de debates e aulas variadas, o Brasil vai penetrando a sala de aula. Mais do que isso, para entendê-lo um pouco melhor, seria importante sair depois dessas salas e ir ao encontro da política tal qual é feita: uma visita à ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e conversas com parlamentares ofereceriam teorias e vivências que permitiriam aos alunos pensar cientificamente sobre as questões levantadas.

Antes disso, os estudantes foram chamados a investigar desde os elementos mais profundos da estrutura de nosso regime até as variáveis conjunturais mais imediatas. E, assim sendo, analisaram tanto os preceitos básicos da democracia representativa e o arranjo institucional brasileiro, quanto o modelo político e econômico adotado pelo ciclo Lula e Dilma e os recentes fatos noticiados sobre a crise política. Busca-se, com isso, dar condições de compreenderem de que forma a política se organiza e como os diferentes atores, motivados por distintos interesses e concepções ideológicas, disputam o poder: a visita à ALESP poderia justamente aprofundar e tornar mais concretas as percepções dos adolescentes sobre esse cenário.

Conhecer o funcionamento da casa, assistir a uma sessão plenária e fazer perguntas a alguns deputados, ou seja, ter a oportunidade rara de conhecer diretamente, sem interferência da mídia ou dos programas partidários, como pensam alguns de nossos representantes sobre temas de relevância estadual e nacional…esse é o objetivo.

Em uma conjuntura tão acelerada como a que se vive no Brasil hoje, até o mais apático dos cidadãos é arrastado para a participação política. Abre-se uma enorme janela de inúmeras possibilidades históricas. Cabe a nós não apenas escolher o melhor caminho, mas aprender como lutar por ele, sob pena de amargarmos anos de desconfiança nas instituições ou, pior, formas de dominação que julgamos ilegítimas. A nossa esperança é de que os alunos sejam auxiliados neste caminho.

Texto: Gustavo Rego (Contemporaneidades – EM)